O Ponto Indica | Ela

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O Amor Nos Tempos da Máquina.

Sinopse:
“Em um futuro próximo na cidade de Los Angeles, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer “Samantha”, uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro.”

Theodore Twombly é um apaixonado e apaixonante homem. Inteligente, íntegro, divertido e extremamente sensível. Daquelas pessoas que queremos por perto para nos dar um auxílio ou uma dica, alguém especial, sem dúvida. Esse é o seu ser, sua persona, seu modus operandi. No entanto, não mais. Essa capacidade de ser estável e aprazível já não existe em constância. Hoje, Theodore é uma outra pessoa. Solitária, melancólica e triste. Uma relação mal sucedida o transformou. Analisemos seu estado…

Ela 4Spike Jonze é um dos cineastas mais fascinantes dessa nova geração e, isso, eu, enquanto admirador da sétima arte, não titubeio em afirmar. Suas obras são estranhas demais para mentes não pensantes (ou que simplesmente não fazem questão em ser). Caracterizado por desenvolver temas relativamente simples de maneira não convencional, o realizador estadunidense sempre chamou atenção pela sensibilidade e ousadia com que os conduzia. Com Ela (Her, no original), não é diferente. Temos romance, terror e drama. Bem específicos em funcionalidade, mas intimistas em uma avaliação final.

Ela 3E sabendo disso, não acho equivocado fazer um paralelo entre o viver presente de Theodore (Joaquin Phoenix), com aquilo que qualquer um de nós (cá eu escrevendo ou você aí lendo) vive em uma relação amorosa. O filme clareia com bastante propriedade a real complexidade que existe em um envolvimento. Quão propício em reiterar a importância da compreensão entre as pessoas para que se consiga fazer com que as ideias e sonhos se tornem possíveis. Quem, em menor instância, nunca se sentiu bem em amar alguém? Ou mesmo que somente achemos que o sentimento é verdadeiro, não há adjetivo existente que possa descrever um gaguejo, um frio na barriga ou aquele arrepio dos pés a cabeça. Recomendo que todos sintam isso ao menos uma vez na vida, apesar de incompreensível. Incompreensível porque, pois bem, também nos sentimos facilmente mal em amar (ou achar, bom salientar). Spike Jonze – que também escreve o roteiro, inclusive, evidencia essa mescla de sentimentos que o amor nos traz. Nisso é estabelecido o romance da obra, onde nos é enfatizado alguns dos relacionamentos do nosso protagonista. O passado, as tentativas e os devaneios futuros.

Ela 2O terror que citei é de uma interpretação absolutamente subjetiva. Imaginar um futuro onde as pessoas mal se relacionem (e não digo somente amorosamente) com o real e palpável, é muito triste. Digo isso, pois nos foi dada a oportunidade de falar, de conversar, de interagir. Temos boca, mãos, membros que nos auxiliam na comunicação. Não entendo o porquê de tanto distanciamento para com aquilo que é, de fato, primordial em nossas vidas. Mas, bem, o futuro está aí, não batendo à porta, muito pelo contrário, temo que já estamos a vivê-lo. Pode parecer de um pessimismo e discriminação para com nossa atual realidade (e é), mas também existe beleza nesse futuro. Ao mesmo tempo em que ele (será somente ele?) nos distancia de algo, ainda assim nos aproxima do necessário. A realidade virtual é muito abrangente. Theodore se envolve com alguém. Real ou não, ele se envolve com alguém. Aceitar esse fato é primordial para receber um pouco do que o filme quer passar. Mas ainda é necessário reconhecer que é triste quando chegamos a esse ponto. Isso é o que vivemos hoje, enquanto escrevo esse texto, por exemplo, vejo notificações no whatsapp e outras redes sociais, interajo com pessoas que sequer conheço (estão lá, digitando, comunicando comigo, mas e aí?). É uma reflexão pertinente que a obra nos faz ter. E pensar em tudo que ainda estamos por viver, confesso, é assustador.

Eis o drama existente em Ela. Até onde o homem chegará em suas criações? Por que tanto nos distanciamos dos que amamos? Qual o motivo em desaprender a conversar pessoalmente? Se estamos em constante evolução, por que tanta regressão?

É uma obra prima do cinema contemporâneo. Faz-nos ter muitas interpretações sobre seus personagens, sobre as ligações entre eles e, principalmente, nas consequências desse futuro que nos alicerça, que nos tenta e nos engana. Não é uma mera historia de amor entre um homem e uma máquina. É muito mais!

NOTA FINAL:

5

FICHA TÉCNICA

Direção: Spike Jonze
Roteiro:
 Spike Jonze
Título Original: Her
Gênero: Drama
Duração: 2h 05min
Elenco: Joaquin Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams, Chris Pratt, Rooney Mara.
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 14 de Fevereiro de 2014 (Brasil)

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20, estudante, mineiro, atleticano e grande entusiasta da cinefilia.