O seriado do Hulu é baseado no livro O Conto da Aia, de Margaret Atwood, lançado na década de 1980. A trama traz um futuro distópico em que uma seita totalitarista assumiu o poder, proibiu mulheres de trabalhar e formou um rígido sistema social, em que cada um tem um papel a cumprir. Flashbacks mostram como chegamos a esse ponto de redução dos direitos individuais de minorias e prisão e punição de dissidentes. Acompanhamos a história do ponto de vista das aias, que têm papel essencial em um mundo que as mulheres estão se tornando inférteis: elas ainda podem ter filhos. Elas são basicamente usadas para gerar filhos de homens importantes cujas mulheres não podem engravidar.

A história acompanha a vida de Offred, uma criada na casa do líder da República de Gilead. Esta é uma sociedade totalitária onde a alfabetização foi proibida para mulheres. Ela surgiu com a catástrofe ambiental e com o avanço da baixa natalidade. Tendo como base o fundamentalismo religioso, esta sociedade trata as mulheres como propriedades do estado. Offred é uma das últimas mulheres férteis, o que a leva ser utilizada como escrava sexual com o objetivo de ajudar a repopular o planeta devastado.

Na série, vemos o mundo pela visão de Offred – que, na realidade, chama-se June. A série começa com ela, seu marido e sua filha sendo perseguidos. Ele fica para trás, ouvimos tiros, ela tenta fugir, mas, no fim, é pega e tem sua filha tirada de seus braços. Por ser fértil, June acaba se tornando uma aia e, como todas elas, ela tem todos seus direitos retirados – incluindo seu próprio nome – e passa a viver na casa do comandante Fred, tentando dar a ele e sua esposa uma criança.

O o nome das aias muda com o tempo. June, no caso, vira Offred, e isso não é por acaso. O comandante dela se chama Fred e, sendo assim, June passa a ser “of Fred”, ou seja, do Fred. Essa ironia torna-se ainda maior quando acompanhamos o cotidiano das aias. Elas respondem às ordens da mulher da casa, das esposas dos comandantes. Com eles, elas apenas têm contato na cerimônia, que é o momento fértil delas no mês onde elas são estupradas por eles para engravidarem.

Todo mês, em seu período fértil, Offred é estuprada por Fred na chamada “Cerimônia”. Nesse momento as aias tem que deitar a cabeça no meio das pernas das esposas dos comandantes, que ficam sentadas próximas da cabeceira da cama segurando as aias pelos punhos, enquanto seus maridos estão na outra extremidade da cama estuprando as aias, que devem permanecer imóveis, sem demonstrar tipo algum de sensação, apenas esperando para engravidarem e serem dispensadas da casa em que estão após amamentarem os filhos que sequer poderão criar. Assim, elas vão para outra casa para servir a um outro comandante e virarem uma Of+ o nome de seu novo dono.

Pode parecer estranho, mas um dos motivos para assistir The Handmaid’s Tale é o desconforto que a série provoca. Nem todo entretenimento precisa ser apenas diversão. Não é uma série leve,  e aí mesmo reside sua importância. Conta uma história que incomoda, como grandes distopias do século XX “1984”, “Admirável Mundo Novo” e “Fahrenheit 451”, porque paramos para nos perguntar: e se chegar a esse ponto?

A série já foi confirmada para uma segunda temporada, o que não é nenhuma surpresa. Além de se fazer necessária a continuação da história, que segue inconclusiva, Handmaid’s Tale tem um elenco de primeira linha, que dão forma a personagens marcantes.

 

NOTA FINAL:

FICHA TÉCNICA

Direção:  Miker Barker e Reed Morano
Roteiro:  Bruce Miller, Ilene Chaiken e Margaret Atwood
Título Original: The Handmaid’s Tale (Season 1)
Gênero: Drama/Ficção Científica
Duração:  1 hora  por episódio
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Samira Wiley, Yvonne Strzechowski, Alexis Bledel, Ann Dowd, Max Minghella, Madeline Brewer, O. T. Fagbenle, Amanda Brugel e Tattiawna Jones
Classificação etária: 
Lançamento: 26 de abril de 2017

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