A cerimônia do Globo de Ouro deste domingo, dia 7, serviu de palco para o lançamento da campanha “Time’s Up“, uma iniciativa de cerca de 300 mulheres da indústria para combater a violência sexual dentro e fora do meio.

Os discursos estavam de acordo com a manifestação das várias atrizes que neste 75º Globo de Ouro se vestiram de preto para denunciar o assédio sexual sofrido pelas mulheres em Hollywood e pedir igualdade de gêneros. O protesto vem na sequência das dezenas de acusações de estupro contra o produtor Harvey Weinstein.

Elizabeth Moss, Melhor Atriz em Série Dramática, por The Handmaid’s Tale

“Isto é de Margareth Atwood: ‘Nós fomos as pessoas que não estavam nos jornais. Vivemos nos espaços em branco nas bordas da impressão. Isso nos deu mais liberdade. Vivemos nas lacunas entre as histórias’. Margareth Atwood, isso é para você. E para todas as mulheres que vieram antes e depois de você, que eram corajosas o suficiente para falar contra a intolerância e a injustiça e lutar pela igualdade e liberdade neste mundo. Nós não vivemos mais nos espaços em branco na borda da impressão. Já não vivemos nas lacunas entre as histórias. Nós somos a história impressa e estamos escrevendo a história nós mesmos“.

Rachel Brosnahan, Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical, por The Marvelous Mrs. Maisel

“Essa história é sobre uma mulher corajosa, brilhante e complicada estou infinitamente orgulhosa de fazer parte disso, mas há tantas outras histórias de mulheres por aí que merecem e precisam ser contadas. Então à medida que começamos um novo ano, vamos continuar a ser responsáveis por investir e propagar essas histórias”.

Nicole Kidman, Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para TV, por Big Little Lies

“Nós, e quando eu digo isso estou falando sobre Reese Whiterspoon e eu, fizemos isso por causa de nossa amizade, nossa união criativa e nosso apoio uma à outra. Eu te amo. E eu também queria dizer: Laura Dern, Shailene Woodley, Zoe Kravitz… Nós sentamos em uma mesa, prometemos fidelidade e compromisso umas às outras, então esse prêmio é nosso para compartilharmos. Uau! O poder das mulheres.

E minha mãe. Minha mãe era participante do movimento feminista quando eu estava crescendo e é por causa dela que eu estou aqui. Minhas conquistas são suas conquistas. E essa personagem que interpretei representa algo que é o centro da nossa conversa no momento: abuso. Eu acredito e espero que possamos, pelo menos, mudar as histórias que contamos e a forma como lhes dizemos. Vamos manter a conversa viva, vamos fazer isso”.

Laura Dern, Melhor Atriz Coadjuvante em Série, Minissérie ou Filme para TV, por Big Little Lies

“Big Little Lies me deu a oportunidade de interpretar a mulher mais escandalosa e complicada, uma mãe aterrorizada. Aterrorizada porque sua filha estava sendo abusada e intimidada, e tinha medo de falar. Muitas de nós fomos ensinadas a não dedurar os colegas. Uma cultura de silenciamento que foi normalizada. Eu peço que todos nós não somente apoiemos as vítimas que são corajosas o suficiente para dizer a verdade, mas também promovamos uma justiça reparativa. Que também possamos protegê-las e empregá-las.Que ensinar nossas crianças a falar sem ter medo da retaliação seja o novo norte da nossa cultura”.

Agora o maior destaque da noite Oprah Winfrey, foi homenageada com o prêmio honorário Cecil B. DeMille por conquistas na carreira

“Várias garotinhas estão assistindo eu me tornando a primeira mulher negra a receber esse prêmio. E é uma honra e um privilégio compartilhar essa noite com todas eles e também com os incríveis homens e mulheres que me inspiraram, que me desafiaram, que me sustentaram e fizeram minha jornada até aqui possível. Eu quero dizer que eu valorizo ??a imprensa agora mais do que nunca, enquanto tentamos navegar esses tempos complicados. Contar a verdade é a ferramenta mais poderosa que todos nós temos. E eu estou especialmente orgulhosa e inspirada por todas as mulheres que se sentiram fortes o suficiente para falar e compartilhar suas histórias pessoais. Cada um de nós nesta sala é celebrado por causa das histórias que contamos, e este ano nos tornamos a história.

Mas não é apenas uma história que afeta a indústria do entretenimento. É uma que transcende qualquer cultura, geografia, raça, religião, política ou local de trabalho. Nesta noite eu quero expressar gratidão a todas as mulheres que sofreram anos de abuso e agressão, porque elas, assim como minha mãe, tiveram filhos para alimentar, contas a pagar e sonhos para perseguir. São as mulheres cujos nomes nunca conheceremos. São trabalhadoras domésticas e agrícolas. Elas estão trabalhando em fábricas, em restaurantes, na academia, engenharia, medicina e ciência. Elas fazem parte do mundo da tecnologia, da política e dos negócios. Elas são nossas atletas nas Olimpíadas e elas são nossos soldados nas forças armadas.

Na minha carreira, entrevistei pessoas que resistiram às coisas mais horríveis que a vida pode fazer você passar, mas a qualidade que todas parecem compartilhar é a capacidade de manter a esperança para uma manhã mais brilhante, mesmo durante a mais sombria noite. Então eu quero que todas as garotas que estão me assistindo agora saibam que um novo dia está no horizonte! E quando esse novo dia finalmente amanhecer, será por causa de muitas mulheres magníficas, muitas das quais estão aqui nesta sala esta noite. E alguns homens fenomenais, que lutam para garantir que eles se tornem os líderes que nos levarão a um tempo em que ninguém nunca mais precisará dizer ‘eu também‘”.

Oprah estava afastava da tv aberta nos Estados Unidos desde 2011, quando o The Oprah Winfrey Show saiu do ar na CBS, no mês de setembro de 2017 ficamos sabendo que ela irá voltar para a mesma emissora na função de colaboradora do 60 Minutes, famosa revista eletrônica que entra em sua temporada de número 50. Oprah irá comentar sobre a divisão política dos EUA em um painel com pessoas com ideologias opostas.

Lembrando que em um passado não tão distante Oprah foi uma das responsáveis por eleger Barack Obama, o primeiro Presidente negro da história dos Estados Unidos, em algumas outras colunas vocês podem ver o título de “Oprah Winfrey for President” resumindo, em sua história ela sempre foi a luta o que isso pode significar, ela está voltando para a tv, com isso sua influência em um período tenebroso para os americanos que veem um presidente que briga pelo tamanho do botão, além dos casos de discriminação, assédio sexual e ódio crescendo cada vez mais.

Pode dar voz a uma nova esperança não só aos americanos, mas todos que lutam contra a desigualdade. A noite do Globo de Ouro não poderia ter terminado de forma melhor, cada discurso, os vestidos pretos em protesto, a força da imprensa americana que volta a viver um caso antigo na sua história, como no do Presidente Richard Nixon que mentiu sobre a Guerra do Vietnã.

O ano que se passou tiveram muitas notícias ruins e coisas que talvez não queríamos imaginar que ainda existissem, mas podemos ressaltar algo que deve seguir de exemplo para todos os países, 2017 foi o ano em que a Islândia se tornou o primeiro país no mundo a tornar ilegal a desigualdade de salário entre homens e mulheres.

 

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