Sabe quando você está procurando um seriado novo e acha um que te prende do inicio ao fim? Foi assim que encontrei One Day at a Time escrita por Gloria Calderon Kellett e Mike Royce.

Em seus 13 episódios, a atração trouxe, em diversos momentos, lágrimas e histórias pertinentes ao que o mundo vive atualmente. Penelope (Justina Machado), mostra uma mulher bem resolvida, que precisa lidar com a recente separação do marido, a adaptação de não estar mais na Guerra e voltar a viver com os dois filhos e a mãe. Ela demonstra, em cenas como a de terapia e a que finalmente aceita tomar os anti-depressivos, que ela não está no estado em que estava antes de participar da Guerra.

Seus filhos, Elena (Isabella Gomez) e Alex (Marcel Ruiz), se comunicam de forma orgânica com o ambiente em que estão inseridos. Elena, uma jovem feminista, engajada em movimentos sociais e de meio-ambiente, se desenvolve aos poucos e, ao descobrir sua verdadeira identidade, desbrocha e a personagem fica mais leve.Alex, por outro lado, se adapta ao ambiente de ter três mulheres ao seu redor. Suas interações paternais com Schneider (Todd Grinnell), são belíssimas e se encontram com o que esperamos em um jovem de 12 anos, inciando suas buscas pelo o que quer.

O destaque para Rita Moreno como Lydia, mãe de Penelope. A cubana de pensamento forte e de valores chamados tradicionais, se mostra forte e se desmancha quando necessário, para mostrar sua vinda nada fácil para a América. Stephen Tobolowsky também exalta boa interpretação como o chefe de Penelope.

Um dos aspectos mais cativantes da série é o amor que gira ao redor de todos os personagens. Mesmo em meio às brigas, aos preconceitos e a tanto sofrimento, é possível sentir o carinho presente em todas as cenas. Com muita calma e dedicação entre os familiares, eles conseguem superar os obstáculos que vão aparecendo ao longo do caminho, sempre deixando uma mensagem bonita para o público.

Apesar de tudo isso que foi dito, a série nos faz refletir sobre diversos problemas da atualidade. Além de homofobia, xenofobia e conflito de gerações, também é possível perceber com clareza os diversos tipos de machismos que o programa televisivo nos apresenta.Lydia é uma mulher criada por outros tempos, numa sociedade ainda mais opressora para as mulheres. Por causa disso, ela acredita e perpetua a ideia de que uma mulher deve valorizar sua imagem e, qualquer coisa contrária a isso, seria desleixo. Por outro lado, Elena não alimenta esse tipo de utopia e não tem qualquer preocupação com o que os outros pensam referente à sua feminilidade. O choque das gerações é grande, embora a lição que fique seja ainda maior.Como já se sabe desde os primórdios, a mulher não é valorizada em seu ambiente de trabalho. Nos tempos atuais, estatisticamente o sexo feminino recebe 30% a menos do que o masculino, exercendo uma função idêntica. Penélope se dedica na clínica que trabalha como ninguém e fica completamente sem chão ao descobrir que o seu colega de trabalho recebe mais do que ela, fazendo menos. Outra situação que a mesma destaca foi quando serviu ao exercito, onde diz que superou os assédios sexuais verbais se tornando uma soldada melhor que qualquer um, até que no fim ninguém a enxergava como mulher mais.Sendo uma série sobre família, o mais interessante é como Elena se assumir lésbica afeta todos a sua volta. Alex, o irmão mais novo, é o mais rápido a aceitar. Seu amor pela irmã mais velha é lindo. A avó Lydia, extremamente religiosa, tem a reação mais surpreendente. Mesmo em um momento cômico oferece uma explicação comovente e convincente para aceitar a neta tão rápido. A mãe é quem oferece a reação com maior nuance. Oferecendo nada além de amor para sua filha de imediato, ainda há uma parte nela que reluta com a mudança. Mas o quão aberta ela está para entender e aceitar é realmente incrível.

Elena quebra imposições por onde passa muito antes de sabermos que ela é lésbica. Uma nerdzinha empolgada com o progresso e preparada para lutar pelo que acha certo, ainda que sua idade peça por uma ajuda aqui e ali. Sua festa de 15 anos, que encerra a temporada, é uma celebração não só ao seu aniversário ou seu crescimento como mulher, mas a quem ela é, com todos que a amam e estão dispostos a apoiá-la.

 

NOTA FINAL:

FICHA TÉCNICA

Direção:  Pamela Fryman
Roteiro:  Audra Sielaff, Becky Mann, Gloria Calderon Kellett e Mike Royce
Título Original: One Day At A Time
Gênero: Comédia
Duração:  30 min por episódio
Elenco: Justina Machado, Rita Moreno, Isabella Gomez, Marcel Ruiz, Todd Grinnell, Stephen Tobolowsky, Ariela Barer, Froy Gutierrez, Thomas Barbusca, Eric Nenninger e Fiona Gubelmann
Classificação etária: Livre para todos os públicos
Lançamento: 6 de Janeiro de 2017

Comments

comments