Desde que George Lucas redefiniu o conceito de arte e produto no cinema com a imortal trilogia Star Wars, muito aconteceu fora das telas em relação à marca em questão – o chamado universo expandido dominou a cultura pop nos quadrinhos, livros, séries, roupas e outras mídias. Mas demorou até que fizessem um novo filme, quase vinte anos de espera, era então a oportunidade do criador original mostrar a gênese daquela história que se tornou um fenômeno nunca antes visto na indústria cinematográfica. Mas para a total surpresa do público, a recepção inicialmente acabou sendo morna e com o tempo tornou-se bastante negativa. A nova leva fez com que os fãs transformassem o próprio Lucas numa espécie de nêmesis, ainda que guardasse um carinho especial pelo homem que concebeu tudo aquilo.

J.J. Abrams conseguiu inovar como poucos fizeram nos demais materiais já citados, e não apenas no que se refere à trama e personagens, mas igualmente do ponto de vista temático. A força feminina está presente em todos os lugares de Star Wars – O Despertar da Força e vão da excelente e contagiante protagonista Rey (Daisy Ridley) e da durona capitã Phasma (Gwendoline Christie) ao retorno triunfante de Carrie Fisher com sua marcante Princesa Leia e algumas Stormtroopers encontradas na Nova Ordem. Em um ano que tivemos figuras emblemáticas como Furiosa e Katniss, esses tópicos surgem com ainda mais força e enriquecem a produção.

Com uma trama absolutamente sólida e que não abre margem para barrigas, o sujeito talvez tenha feito o título mais pulsante e envolvente de toda saga. Assumidamente comedido e sem abrir espaço para cenas megalomaníacas, o filme possui basicamente dois núcleos que vão aos poucos se transformando e em dado momento encontram-se. A fluidez da história é absoluta, cada evento ocorrido parece levar a outro e mudar o rumo dos personagens, o que torna o texto enxuto por sua vez, mesmo entregando inimigos interessantíssimos e construindo rapidamente um novo Império com base ideológica e política. Fica claro que estamos falando de um roteiro refinado que possui inúmeros elementos e trafega estruturalmente de maneira convencional, ainda que o terceiro ato nos traga um dos momentos mais dolorosos da cinessérie.

O leque de heróis e vilões é diverso bem como víamos inicialmente em Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977); temos três ou quatro protagonistas que possuem tempo de tela bem divididos e conquistam de um modo geral. Do outro lado voltamos com a formula do místico e poderoso inimigo, Kylo Ren (Adam Driver), que detém trejeitos semelhantes à Darth Vader e variam entre a caracterização e voz emitida. Este que por sua vez possui patente abaixo de outra figura opressora. No entanto não se pode dizer que a formula utilizada aqui novamente empalideça todo comitê da Nova Ordem de comando. Pelo fato do longa exibir uma linguagem gráfica mais violenta, o temor por parte dos antagonistas cresce durante a exibição e se potencializa no final.

Star Wars: Os Últimos Jedi

A tranquila e solitária vida de Luke Skywalker sofre uma reviravolta quando ele conhece Rey, uma jovem que mostra fortes sinais da Força. O desejo dela de aprender o estilo dos Jedi força Luke a tomar uma decisão que mudará sua vida para sempre. Enquanto isso, Kylo Ren e o General Hux lideram a Primeira Ordem para um ataque total contra Leia e a Resistência pela supremacia da galáxia.

 

NOTA FINAL:

FICHA TÉCNICA

Direção:  J. J. Abrams
Roteiro:  Lawrence Kasdan, J. J. Abrams, Michael Arndt e George Lucas
Título Original: Star Wars: The Force Awakens
Gênero: Ação/Aventura/Fantasia/Ficção Científica
Duração: 2h 15min
Elenco: Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong’o, Andy Serkis, Domhnall Gleeson, Anthony Daniels, Peter Mayhew e Max von Sydow
Classificação etária: Não recomendado para menores de 12 anos
Lançamento: 14 de dezembro de 2015

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