Com os dias contados para a CCXP 2017, nerds de todo o Brasil esperam ansiosos para ter acesso, com exclusividade, à uma série de produtos criados especialmente para as maiores feiras da cultura pop do mundo: as “Comic Con” e seus congêneres (como é o caso da CCXP). Aonde quer que seja realizado, um evento de porte similar ao da Comic Con pode significar, também, receber os maiores atores do mundo, o que, em solo tupiniquim, foi um sonho que muitos jamais apostaram que se realizaria.

Entretanto, além de todo o hype dos grandes anúncios que o Omelete Group faz nos seus eventos, uma parte do espaço é reservado ao que é, possivelmente, um dos principais motivos para a existência de um evento dessa magnitude: o Artists’ Alley.

De acordo com o site do evento “O Artists’ Alley by Itubaína é um espaço para que quadrinistas consagrados do Brasil e de outros países, além de novos talentos e profissionais independentes, apresentem seus mais novos trabalhos. Além de interagir com seu público, autografar pôsteres e HQs, os artistas podem comercializar artes originais como prints, sketchbooks e outros materiais“.

Ainda, de acordo com o próprio Omelete Group, o “Artists’ Alley da CCXP é a maior área do gênero em eventos do Hemisfério Sul e em 2016 foi um dos lugares mais visitados pelo público. Neste ano, para atender a essa demanda crescente, o espaço dedicado aos artistas passa a contar com 352 mesas e mais de 489 roteiristas, ilustradores e artistas gráficos“.

As vezes, o grande público acaba não tendo conhecimento do quão rico é esse espaço e o quanto a experiência de uma “Comic Con” pode ser mais proveitosa se for gasta (claro, se possível) um dia todo para conhecer, consumir, conversar e trocar ideias com pessoas tão, ou mais apaixonadas, por este universo “pop” do que nós, que inclusive sustentam esse universo com sua efetiva colaboração artística.

Além do mais, muitos outros grandes artistas já frequentaram esses espaços em eventos pelo mundo como consumidores ou como produtores, o que torna esse ambiente muito mais do que especial por toda a aproximação e a troca de experiência entre quem produz e quem consome, mas, acima de tudo, quem ama esse cenário no qual estamos incluídos.

Então, para contemplarmos isso e ajudar vocês a se organizar, criamos a coluna “Perfil“, onde entrevistaremos justamente alguns desses 489 artistas, auxiliando os leitores a descobrirem ou a dedicarem o seu tempo a algum artista que já admire ou que não conheça, tentado iluminar também um espaço com potencial tão exuberante quanto qualquer painel do sábado ou do domingo (os painéis usualmente mais disputados dos quatro dias de eventos).

Abaixo segue a entrevista com a Desenhista Cristina Eiko.

Muito obrigado por aceitar conversar com O Ponto. Acho que é difícil falar com um artista sem “saber” o nome dele primeiro. Se procurarem seus trabalhos pelo seu “nome por extenso”, as pessoas vão achar, ou você tem algum apelido/pseudônimo dado pelo público ou pelos amigos que é o que você usa para assinar seus trabalhos?

C. E.: Costumo assinar como “Cristina Eiko”, que é meu nome mesmo, só falta o sobrenome “Yamamoto”.

Quantas vezes você esteve na CCPX? Que tipo de experiência exclusiva (para artista e consumidor) costuma existir no “Artists’ Alleys”?

C. E.: Esta é a terceira vez, e a experiência “exclusiva”em toda Artist’s Alley é a interação direta entre o autor e seu público/leitor. É muito bom conhecer quem lê, receber o feedback direto, e ao mesmo tempo eu como leitora gosto de conhecer meus autores favoritos.

Qual o material você levará para feira? Conte um pouco sobre ele, processo de produção, do que se trata e qual a sua relação pessoal com esse produto (se foi algo que foi difícil de ser criado; se você se orgulha do material por qualquer situação “x”; se é auto biográfico; se é um projeto imaginado por anos; etc)

C. E.: Estamos na CCXP com nossos Quadrinhos A2 (hqs autobiográficas que faço com Paulo Crumbim), Culpa, que é uma HQ curta que fiz para a coleção Ugritos da Ugra Press, Gnut e os zines Cambria, Terreno e .exe, do Paulo Crumbim.

Quais dias e horários você estará no evento?

C. E.: Estarei todos os dias na Artist’s Alley na mesa A44.

Há quanto tempo você está envolvido na sua área (como curioso, estudante e/ou consumidor) e há quantos anos você leva isso como carreira?

C. E.: Faço quadrinhos a sério desde 2010, mas sempre gostei desde que aprendi a ler, era uma fã tanto de mangás como de comics.

Trabalhar com artes nunca é fácil em nenhum lugar do mundo. Há uma crença popular de que essa seja uma dificuldade exponenciada no Brasil, dada nossa realidade sócio-econômica. Você que efetivamente atua no ramo, compreende essa colocação como verdade, ou há um pouco de “exagero” nesses apontamentos?

C. E.: Talvez seja mais difícil, principalmente em épocas de crise. Mas há um pouco de exagero e pessimismo, não sei dizer.

Alguma vez você passou por um desafio que julgava intransponível e, por ter superado isso, pensou “caraca, é com isso que vou trabalhar! Atingir essa “meta” me fez ter mais certeza que é isso que quero para minha vida”.

C. E.: O próprio desenho e fazer quadrinhos. Sou muito insegura e tenho a auto estima bem ruim, então por muito tempo eu não gostava do meu desenho e não o achava bom o suficiente para ser “apresentável”. Só superei isso depois de começar a trabalhar com animação, e vi que o meu desenho era bom o suficiente, não precisava ser perfeito para eu começar.

O contrário também já aconteceu? Teve alguma situação que você olhou e pensou “não quero mais passar por isso nunca mais!”?

C. E.: Muitas coisas.

Quais são os artistas que mais inspiram você e o seu trabalho? Algum inusitado? Com qual desses você trabalharia e seria a realização de um sonho?

C. E.: Bill Sienkiewicz (n. r.: Elektra Assassina), James Kochalka (n. r.: American Elf, Fungos), Rumiko Takahashi (n. r.: Turma do BarulhoRanma ½, InuYasha), Hayao Miyazaki (n. r.: A viagem de Chihiro, Meu amigo TotoroPrincesa Mononoke), Ryoko Ikeda (n.r.: A Rosa de Versalhes, Orpheus no mado, Oniisama e…), são muitos na verdade. Não sei dizer.

Tem alguma história de repercussão internacional do seu trabalho que te fez sentir que “ganhou na mega sena”?

C. E.: Teve a publicação na França do Penadinho – Vida das Graphics MSP.

A CCXP 2017 acontece entre os dia 06 e 10 de dezembro e terá cobertura completa do “O Ponto Nerd“.

 

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