“Sinopse: Alimentado por sua fé restaurada na humanidade e inspirado pelo ato de altruísmo de Superman, Bruce Wayne busca a ajuda de sua nova aliada, Diana Prince, para encarar um inimigo ainda maior. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha trabalham rapidamente para encontrar e recrutar um time de meta-humanos para encarar essa ameaça recém-desperta. Mas apesar da formação dessa Liga sem precedentes de heróis – Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Ciborgue e Flash – talvez seja tarde demais para salvar o planeta de um ataque de proporções catastróficas”.

Embora tenha iniciado um universo compartilhado sem grande êxito em estabelecer um tom adequado para seus longas, a divisão cinematográfica da DC já havia se provado com Mulher-Maravilha, mas, ainda assim, necessitava se firmar definitivamente com o aguardado e promissor Liga da Justiça.

Zack Snyder, nos presenteia, mais uma vez com sua clássica visão estilizada de mundo, mas, dessa vez, sua consistente maneira de dirigir não trás consigo uma fotografia soturna ao extremo, caraterística comum da maioria dos seus trabalhos, somos banhados por uma palheta de cores mais viva, que se entrelaça com a ideia na qual Liga da Justiça se propõe a ser:
uma história que se nivela entre a densidade das outras produções do estúdio e a inerente leveza de um quadrinho do gênero de heróis.

E, ainda que com leveza, Snyder triunfa encaixando sutilezas que conversam muito bem com o momento em que nossa sociedade vive, seja com uma mensagem ampla de que é preciso esperança a pequenos trechos, como a belíssima sequência de abertura ao som de Everybody Knows, da Sigrid. Sua mão para sequências de ação também não deixam a desejar.

Mas, esse equilíbrio não consegue se estabilizar por um período muito longo. A decisão em abordar uma trama mais leve para a equipe, não se sustenta, em grande parte pela problemática montagem geral do filme, que se perde entre cortes abruptos e sequências mal empregadas, que espalham-se e atrapalham boa parte da narrativa principal, que, por sua vez, prejudica o uso de momentos dramáticos e cômicos. Nota-se uma visível desarmonia de cenas em  vários trechos.

O roteiro, escrito por Chris Terrio e revisado por Joss Whedon, acerta em estabelecer um forte vínculo entre time de heróis, que, deve funcionar de maneira instigante para o público a cada cena. A difícil tarefa de introduzir Flash, Ciborgue e Aquaman se dão de forma natural, dentro do possível. Mesmo que Mulher-Maravilha e Lois Lane carreguem consigo uma quantidade expressiva de diálogo expositivos dispensáveis, as motivações e entrosamento dos membros da liga cumprem seu devido papel.

A apresentação da ameaça do longa (Lobo da Estepe), talvez seja um dos pontos menos atraentes de Liga da Justiça. Com uma relação de contemplação e conceitos quase religiosos com as caixas maternas, não conta com tempo hábil de tela para ser desenvolvido e se estabelecer como uma ameaça a altura da Liga. Juntando isso com péssima execução de efeitos especiais, faz com que o antagonista caia ainda mais no esquecimento do público. Lobo da Estepe desaponta, ainda, por seu visual genérico e pouco inventivo.

Composta por Danny Elfman, a trilha sonora oficial transita entre o memorável e o esquecível. Sua opção em evocar o tema clássico do Batman e Superman se destaca de todo o resto e auxiliam muito bem a criação da misancene, mas, não provoca a emoção necessária.

Superman e seu simbolismo de esperança para todos são bem trabalhados, e sua volta engata ritmo no terceiro ato, ainda que, como dito mais acima, a montagem acabe prejudicando o desenrolar da história. O retorno do Homem de Aço marca a união dos heróis e abre portas para uma versão do personagem mais inocente, que remete de imediato sua versão clássica dos quadrinhos. Um prato cheio para fãs do escoteiro.

Liga da Justiça não é o melhor filme de super-herói do ano, da década e dirá de todos os tempos. Mas, cumpre o dever de entregar uma saborosa aventura que parece ter literalmente saído das páginas de um gibi.

NOTA FINAL:

FICHA TÉCNICA
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Chris Terrio
Título Original: Justice League
Gênero: Ação, Aventura
Duração: 119 minutos
Elenco: Ben Affleck, Amy Adams, Diane Lane, Ezra Miller, Gal Gadot, Henry Cavill, Jason Momoa, Amber Heard, J.K. Simmons, Jason Momoa, Ray Fisher
Classificação etária: 12 anos
Lançamento: 16 de novembro

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