O segundo ano de Stranger Things está chegando, e nada melhor para comemorar do que relembrar um pouco dos acontecimentos, dos pontos positivos e negativos e das perguntas que ficaram sem resposta na primeira temporada. O hype está altíssimo sim, senhores!

Com apenas oito episódios, a série fixa-se nos anos 80 como cenário essencial não só da história que quer contar, mas também como da atmosfera adequada a isso. O mais importante, no entanto, não são as roupas, cabelos e aparelhos daquele tempo, mas sim o que aquele período representa culturalmente para a ficção e a fantasia. Inevitavelmente, Spielberg é um nome muito presente na essência da série, que passeia por pitadas de Stephen King, de filmes de horror como A Hora do Pesadelo e de tudo que representa a “existência paralela” dos jogos de RPG.

A trama, que se passa numa pequena cidade do Estado de Indiana, Hawkins, começa com o misterioso desaparecimento do pequeno Will Byers (Noah Schnapp), enquanto voltava para casa após um jogo de RPG com os três amigos: Mike (Finn Wolfhard), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo). O trio, então, resolve encontrar o companheiro, mas descobrem que o mistério gira em torno de eventos de aspecto sobrenatural, de uma instalação para experimentos militares e de uma garotinha muito estranha, conhecida somente como Eleven, ou Onze (Millie Brown). A partir disto, fatos sobrenaturais começam a surgir por meio de manifestações elétricas na casa do garoto, onde somente sua mãe, Joyce (Winona Ryder), compreende que todo problema é bem mais complexo do que todos imaginam. Uma forte referência ao filme Poltergeist.

Tudo é muito claro e nostálgico como cenas de bullying, brigas de adolescente, mães que criam seus filhos sozinha, manifestações paranormais, guerra contra comunistas, investigação e espionagem, universos paralelos, monstros e experiências científicas. Tudo isso é muito bem abordado em Stranger Things de forma bem estruturada.

Durante os episódios, núcleos de personagem vão se unindo para desvendar o grande mistério da trama, cada um da sua própria forma e ponto de vista, motivados por questões pessoais.

Você pode escolher o arco que mais o agrada, embora todos sejam igualmente importantes em sua maneira e impecáveis. Os atores são muitos bons e ajudam a trazer a vida todo o mistério, com um destaque maior para o grupo de Mike e à Eleven.

O elenco infantil é o ponto mais forte da série. A impressão é a de que cada um dos meninos foi sugado de um dos “mundos invertidos” onde toda criança tem uma capacidade impressionante de atuar. Basta uma cena e a química entre o quarteto se estabelece completamente. Ainda que Ryder e David Harbour (que vive o chefe de polícia Jim Hopper) sejam atores experientes que dão crédito à produção, está no trabalho de Wolfhard, Matarazzo, McLaughlin e Brown a referência e força mais importantes do enredo, aquela que dá a engrenagem do trabalho dos irmãos Duffer (inspirado em Spielberg): a amizade. Bastam dois episódios e você já torce poraqueles amigos, já ri com eles, já se arrepia com cada citação a Stars Wars e se comovecom cada abraço, lágrima ou vitória. Esses jovens são o que você esperaria de um filme como E.T. – O Extraterrestre ou Goonies, e eles são igualmente talentosos. É bom ver como os atores mirins conseguindo acrescentar tanto quanto os mais velhos.

Mesmo que a frase “lá pelo 6º episódio melhora” tenha praticamente virado um bordão entre o público para falar sobre séries cujas temporadas são divulgadas de uma vez, não é caso para Stranger Things. Mesmo com uma curta temporada, a primeira metade faz um trabalho extremamente competente de ambientação de público e na construção de um clima de suspense bastante atrativo. Mas assim como nos filmes de anos 80, parte das explicações são deixadas de
lado para não estragar a fantasia. Todos entenderão do que se trata, mas não cabe
questionar por que um personagem ou outro agiram de determinada forma.

Ainda assim, talvez o ritmo seja o grande vilão da história, visto que os quatro episódios finais apresentam uma considerável queda no que vinha tão rico. O problema não é exatamente cair em um desenvolvimento esperado e pouco inventivo, mas a reta final se deixa envolver por uma abstração que cansa e desanima ao tirar de cena os personagens e os problemas mais cativantes.

Stranger Things tem apenas 8 episódios, que nos causa a sensação de estar assistindo um grande filme de suspense com jogos de câmeras propositais, ao invés de necessariamente uma série de TV. A cenografia e a indumentária estão impecáveis, com direito a muitos suéteres, penteados estilo Jane Fonda e telefones com discador giratório. A série reuniu não somente as cenas, mas o espírito nostálgico do que era viver e assistir um filme produzido na década de 80, apresentando o cotidiano de famílias que viviam em algum tipo de pequena cidade no interior dos Estados Unidos. O mais impressionante, contudo, é ver como os criadores, os iniciantes irmãos Duffer Matt e Ross, conseguem juntar tudo isso de modo coeso, elegante e eficiente.

O que esperar da segunda temporada?

Os trailers já divulgados já confirmam, por exemplo, que Eleven está viva, mas a primeira temporada deixou alguns pontos soltos que devem ser respondidos no novo ano da série. Algumas questões levantam mais teorias do que outras, colocamos aqui, as que mais queremos saber as respostas:

 O sumiço do Monstro e Eleven

Já sabemos que nossa Eleven está vivíssima, mas para onde teriam ido ela e o Monstro durante o confronto dos dois? O que eles fizeram durante todo esse pulo temporal de um ano? Segundo os irmãos Duffer, há um documento com cerca de 30 páginas sobre o que seria o Mundo Invertido e por que não há mais nenhum Monstro. Não há muita explicação sobre estes dois pontos na trama da primeira temporada, mesmo que eles sejam vitais para os oito episódios.

Dr. Brenner ainda vive?

O Monstro é o grande perigo que domina os episódios da série, mas quem tem a função de vilão da história é o Dr. Brenner. Entretanto, o último episódio não deixa nada claro o que aconteceu de fato com ele. A única certeza é que os Duffer não acreditam que aquilo seja o desfecho ideal para um personagem tão relevante, por isso esperem o retorno dele. Mas como? Supostamente, aqueles experimentos eram muito sigilosos e caros, o que pode levá-lo até muitas pessoas importantes envolvidas no projeto, mas talvez o Doutor não esteja 100% depois do ataque que recebeu.

Justiça para Barbara?

Enquanto a cidade fica de ponta-cabeça durante o sumiço de Will, quando a moça desaparece não há nenhuma menção de preocupação por parte das autoridades ou algum tipo de noticiário que dê um desfecho para o seu desaparecimento. Os criadores da série também já deixaram claro que eles farão justiça para a personagem, já que a primeira temporada pouco se importou em mostrar pesar com sua morte.

Will e o Mundo Invertido

Will ficou cerca de sete dias no Mundo Invertido, um local em que a atmosfera não é igual à terrestre, o que obriga quem o visita a vestir-se com uma roupa especial para proteger-se dos efeitos que pode sofrer. Ele passou por algo ainda pior do que misturar-se ao ambiente: foi pego pelo Monstro, preso às gosmas que ficam pelo local e um tubo vivo foi colocado dentro de sua boca.

Entretanto, o grande gancho da primeira temporada é o jantar em que Will vai ao banheiro cuspir um tipo de lesma e tem um tipo de conexão com o Mundo Invertido. Supostamente, o que ele expele tem origem no tubo vivo, como se algo estivesse sendo incubado dentro dele. Mas a questão é como ele consegue visualizar o Mundo Invertido. Quais são os efeitos que o garoto tem sofrido após ficar naquele ambiente?

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Uma coisa é fato, já estamos contando os minutos para a estreia da segunda temporada de Stranger Things. E vocês, quais as expectativas para o novo ano da série? Quais perguntas vocês gostariam que fossem respondidas nesse novo ano? Deixa aí nos comentários!

Stranger Things 2 chega à Netflix amanhã, dia 27, e todos os episódios da segunda temporada já estarão disponibilizados.

 

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