“Deus está morto. Viva Perigosamente. Qual o melhor remédio? – Vitória!”.

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900) nasceu em Röcken, na Saxônia, filho de uma família de pastores protestantes. Seu pai e seus dois avôs eram pastores. Aos dez anos já fazia suas primeiras composições musicais e aos quatorze tornou-se professor numa Escola Rural em Pforta. Nessa época fez seu primeiro exercício autobiográfico, sinalizando a vinda do Ecce homo, trinta anos depois. “Da minha vida” é o título da obra de um autor que, em rala idade, já se sabia destinado a grandes tarefas. Mais tarde Nietzsche estudou Filologia e Teologia nas Universidades de Bonn e Leipzig.

Aos vinte anos, Nietzsche conheceu de perto a obra de uma de suas influências mais caras: Schope­nhauer. Pouco depois prestou o serviço militar e entrou em contato – fascinado – com a música de Wagner. Aos vinte e quatro anos  e isso apenas confirma um gênio que se manifestou sempre precoce. Foi chamado para a cadeira de Língua e Literatura Grega na Universidade de Basileia, na Suíça, ocupando-se também da disciplina de Filologia Clássica. O grau de Doutor, indispensável nas universidades alemãs, seria concedido a ele apenas alguns meses depois, pela Universidade de Leipzig. Sem qualquer prova e com um trabalho sobre “Ho­mero e a filologia clássica”, Nietzsche assumiu o título e mudou-se definitivamente para Basileia.

Além do bem e do mal (Jenseits von Gut und Böse)

O autor considerava ‘Além do Bem e do Mal‘ seu livro mais importante e mais abrangente. Quase todos os temas de sua filosofia madura estão presentes aqui: o perspectivismo, a vontade de poder e suas ramificações, a crítica da moralidade, a psicologia da religião e a definição de um tipo de homem nobre. Há também aforismos sobre arte e sexualidade, caracterizações de vários povos e países e muitas opiniões sobre personalidades históricas e artísticas. Tudo num estilo de grande beleza e precisão, a que não faltam humor, poesia e dramaticidade. Terminando a leitura, dificilmente o leitor não irá compreender por que as principais correntes de pensamento do século XX, como o existencialismo, a filosofia analítica e a psicanálise, reconheceram em Nietzsche um precursor.

O Anticristo (Der Antichrist)

Escrito em 1888,  é uma das mais afiadas análises de que o cristianismo já foi objeto. Dando continuidade ao exame sobre a moral praticado na maioria de seus livros, em ‘O anticristo‘ o autor firma sua posição sobre a doutrina religiosa. Ele mostra como o cristianismo, ao qual chama de maldição, é a vitória dos fracos, doentes e rancorosos sobre os fortes, orgulhosos e saudáveis, persuadindo e induzindo a massa por meio de ideias pré-fabricadas. A partir da comparação com outras religiões, Nietzsche critica com veemência a mudança de foco que o cristianismo opera, uma vez que o centro da vida passa a ser o além e não o mundo presente. Até mesmo Jesus Cristo e o apóstolo Paulo são questionados, assim como grande parte de todos os dogmas cristãos, em um grande exercício filosófico

O Crepúsculo dos Ídolos (Götzen-Dämmerung oder Wie man mit dem Hammer philosophirt)

“Um resumo das minhas heterodoxias filosóficas fundamentais”. Assim Nietzsche descreveu Crepúsculo dos ídolos (ou como se filosofa com o martelo), uma de suas últimas criações antes da loucura e a última obra que veria publicada em vida. O livro, que serve de introdução à forma de pensar nietzschiana, é sobretudo, fruto da seguinte constatação do autor: “Há mais ídolos do que realidades no mundo”. A partir disso, o autor põe-se a aniquilar tudo aquilo que julga serem ídolos falsos, ocos e decadentes. Ele parte do pensamento de Sócrates, destrói “ídolos” da sua época, como o sistema educacional alemão, escritores em voga, anarquistas, socialistas e progressistas, sem nunca deixar, é claro, de atacar a metafísica. Fazendo sempre um chamamento do homem ao senso crítico e à tomada de posição (“Que não sejamos covardes em relação aos nossos atos! Que não os abandonemos uma vez consumados! – O remorso é indecente.”), ele balança os pilares da filosofia. Em meio a farpas e aforismos lapidares, nascem algumas das ideias mais radicalmente originais do pensamento moderno.

Ecce homo (Ecce homo. Wie man wird, was man ist)

Em outubro de 1888, ao completar 44 anos de idade, Friedrich Nietzsche decidiu fazer um balanço de sua vida. Escreveu então Ecce homo, um dos mais belos livros da língua alemã, a obra mais singular jamais escrita por um filósofo. Não é uma simples autobiografia: é sobretudo confissão e interpretação, uma síntese inestimável da sua obra e de seus conflitos. Um grande pensador, dos mais influentes de nossa época, fala apaixonadamente de suas influências, de sua paixão, de como surgiram suas obras, de seu modo de vida, de seus objetivos, e faz, assim, uma original e desconcertante introdução a si mesmo. Considerando que Nietzsche o escreveu apenas algumas semanas antes de sofrer a perda completa da razão, este livro é também sua última palavra, como filósofo, psicólogo e “anticristo”.

A Gaia Ciência (Die fröhliche Wissenschaft)

A expressão “Gaia Ciência” é uma alusão ao nascimento da poesia européia moderna que ocorreu na Provença durante o século XII.

O livro traz algumas das discussões de Friedrich Nietzsche a respeito de arte, moral, história, conhecimento, ilusão e verdade. Ao longo de suas 383 seções, aparecem três noções particularmente associadas ao filósofo, a proclamação da ‘morte de Deus’, a ideia do ‘eterno retorno’ e a mítica figura de Zaratustra. Além disso, este livro inclui versos humorísticos, aforismos, breves diálogos, parábolas, poemas em prosa e pequenos ensaios.

Assim Falou Zaratustra (Also sprach Zarathustra: Ein Buch für Alle und Keinen)

Escrito e publicado progressivamente, entre 1883 e 1885, veio a se tornar o mais famoso livro do autor. Nele se acha o relato das andanças, dos discursos e encontros inusitados do profeta Zaratustra, que deixa seu esconderijo nas montanhas para pregar aos homens um novo evangelho. Os títulos das obras de Nietzsche são peculiares em relação aos dos textos filosóficos em geral: na maioria deles não encontramos termos como “crítica”, “ensaio”ou “tratado”, mas expressões ou substantivos evocativos, por vezes de natureza poética. Mesmo entre esses títulos, “Assim falou Zaratustra” tem sua peculiaridade própria.

O Nascimento da Tragédia (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik)

Primeiro livro de Nietzsche, ‘O nascimento da tragédia’ foi publicado em 1872. Obra de um jovem professor de letras clássicas, despertou polêmica pelo seu caráter pessoal e pela ousadia de sua abordagem – desafiava a concepção tradicional dos gregos como povo sereno e simples, e exaltava a ópera de Wagner como renovadora do espírito alemão, numa singular mistura de reconstrução histórica, intuição psicológica e militância estético-cultural. Mais de um século depois, suas teses continuam discutidas. Aqui, o filósofo oferece não só uma interpretação da tragédia, mas da própria cultura grega, do nexo entre arte e conhecimento e da época moderna. Já neste primeiro rebento a filosofia nietzscheana se revela como apaixonada reflexão sobre o sentido da existência.

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