“A conduta define o homem”

Sinopse: “Após um ataque ao quartel general da Kingsman, Eggsy, Roxy e Merlin viajam para os Estados Unidos, onde afiliam-se à Statesman, versão americana da organização de espionagem.”

Em 2014 quando Kingsman: Serviço Secreto chegou aos cinemas, houve uma certa comoção do público pelo longa, talvez pela visão do mundo dos espiões junta com a dinâmica direção de Matthew Vaughn, que até tinha começado a ganhar mais destaque na indústria por Kick-Ass e X-Men: Primeira Classe. E dessa vez Vaugh teve como desafio principal criar uma sequência original sem cair no clichê “mais do mesmo”, erro de incontáveis franquias atuais.

O fato é que Kingsman 2 consegue a estranha faceta de se provar uma boa continuação que acrescenta coisas novas mas, ao mesmo tempo, entrelaça esse mérito com uma visível falta de inventividade no seu cerne, observamos apenas “mais do mesmo”. Por um lado vemos repetições sem vida do seu antecessor, e, em outros momentos, somos apresentados a um espetáculo visual e cenas cronometradas de ação, que tem por resultado prender a atenção do público usando muito bem o conceito de produção blockbuster, mas só se sustenta até certo ponto.

Vaughn, enquanto diretor, mostra uma excelente competência na direção de sequências de luta. Ele sabe brincar com o exagero e tirar proveito disso. Seu modo operante de filmagens, com a câmera seguindo ação e fazendo movimentos bruscos, é empolgante em todos níveis. Contudo, lhe falta pulso em diminuir a quantidade de subtramas e dar mais peso dramático aos acontecimentos, como exemplo a volta do personagem de Colin Firth, que embora seja justificável se torna consideravelmente vazia.

Taron Egerton, que interpreta Eggsy, consegue carregar o longa com ajuda de FirthMark Strong (que por sua vez tem um arco pessoal que surpreende), já Julianne Moore, mesmo que lhe falte mais tempo em tela para atuar, chega a entregar uma vilã caricatural e megalomaníaca quase no mesmo patamar que o papel dado a Samuel L. Jackson em 2014. Halle Berry, Channing Tatum, Pedro Pascal Jeff Bridges que integram o núcleo secundário também dão um bom gás a história, mas nada muito memorável, deixando apenas brechas pra possíveis derivados. Vale lembrar também que Elton John faz algumas participações, que apesar de serem pontuais, são uma das melhores coisas de todo o filme, falar mais do que isso poderia estragar o resto das surpresas.

Outra sacada memorável que faz com que Kingsman: O Círculo Dourado tenha passagens memoráveis é a sua alusão com o atual presidente dos EUA, que na trama é vivido por Bruce Greenwood, expondo coisas que se alternam entre o absurdo e o assustadoramente plausível.

Mantendo sua homenagem e paródia estereotipada ao gênero de espionagem, Kingsman 2  possui excessos em aspectos que não lhe caem tão bem quanto poderia. Entretanto, proporciona uma diversão inegavelmente satisfatória, mesmo que vazia em alguns momentos.

NOTA FINAL:

FICHA TÉCNICA
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn
Título Original: Kingsman: The Golden Circle
Gênero: Ação
Duração: 135 min
Elenco: Colin Firth, Taron Egerton, Mark Strong, Julianne Moore, Halle Berry, Channing Tatum, Pedro Pascal, Jeff Bridges
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 28 de setembro

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