O inverno finalmente chegou em Westeros, e a série caminha para seu grand finale

Game of Thrones preenche uma necessidade bem específica na cultura pop. Uma série de TV tão obscura e cheio de personagens que são terríveis, que fazem a vida real parecer mais alegre em comparação. Em GoT, novos personagens podem ser introduzidos e agradar ao público, apenas para morrer alguns episódios mais tarde. Os romances não correspondidos podem apertar nossos corações, apenas para serem destruídos antes que os dois indivíduos tenham um final feliz. Mesmo os melhores momentos pode nos dar certo medo, pois em GoT, quando algo de bom acontece, uma tragédia geralmente vem logo atrás disso.

Mas nos últimos tempos, houve muitas dúvidas dos espectadores sobre o modo que DB Weiss e David Benioff estão conduzindo tudo, e que estariam perdendo um pouco do enredo, sem o material original de George R. R. Martin, autor da obra “As Crônicas de Gelo e Fogo”, para continuar se baseando.

Muitos acontecimentos de Game of Thrones nesta sétima e penúltima temporada, se mostrou contrário às regras de tempo, de geografia e do bom senso comum. Mas é claro que houve alguns momentos brilhantes nesta temporada, principalmente aquelas que envolvem as duas sequências de batalha – contra o exército Lannister em Tumbleton e contra o exército dos mortos Para Lá da Muralha, apesar de furos no roteiro.  Mas muitos detalhes minuciosos fizeram os fãs de GoT se sentirem decepcionados com essa temporada.

O final da sétima temporada, intitulado de “The Dragon and the Wolf”, teve alguns erros, mas ainda sim este episódio também entregou o que importava: uma conclusão.

Esta foi a temporada mais apressada e o sacrifício do realismo acabou prejudicando. Os detalhes nunca se somam, e isso é em grande parte porque sete episódios nunca seriam tempo suficiente para contar a história que a série realmente merece.

Então, não são apenas os problemas como viagens rápidas, corvos que se teletransportam, mas também a troca de conspirações cuidadosas para pontos de trama ligeiramente simplificados. O público sempre quis ver como seria o encontro de certos personagens pela primeira vez, mas eles conseguiram isso com quase nenhuma sutileza. Nos dois últimos episódios finais da temporada, temos grandes uniões, mas tão legal como é ver esses personagens juntos, ainda sim sente que é um pouco forçado.

Os eventos poderiam ter sido facilmente ocupados por mais de um episódio. Algumas histórias foram arrastadas sem nenhum motivo. A temporada inteira foi desigual, balançando entre um incrível espetáculo e em alguns momentos de grandes bobagens. Eu acredito que a série teria se beneficiado de dois ou três episódios a mais, apenas para ajudar a amarrar as pontas soltas, mas isso também só faria diferença se o roteiro fosse melhorado no geral.

E agora com toda essa pressa nos resta muitas perguntas que simplesmente não possuem respostas satisfatórias como: Por que Tyrion se tornou tão ruim na elaboração de planos e estratégia? Por que Rhaegar e Lyanna nomearam seu filho de Aegon, quando Rhaegar já tinha um filho chamado Aegon? E não vamos entrar em detalhes sobre como esse casamento foi forçado e a total desonra que foi feita aos Martell. Como Jaime e Bronn nadaram com armadura, ainda mais Jaime com aquela mão de ouro? Como Euron construiu todos esses navios? O que aconteceu com o exército de Dorne e porque Dany não tentou reunir esse exército depois que As Serpentes de Areia foram mortas? E uma das mais importantes. Onde está o GHOST? Ok, talvez essa não seja uma das maiores preocupações, mas o fantasma é importante e ele não conseguiu nem uma cena se quer na sétima temporada. Todo o orçamento de CGI foi para os dragões e aquela reunião entre Arya e Nymeria. Isso poderia ter sido um momento legal, mas provavelmente nunca mais veremos Nymeria, por isso Ghost aparecer teria sido mais importante para a história.

Fantasma está claramente irritado por tudo isso

Fantasma (Ghost), talvez não seja “tão importante” como os dragões, mas Fantasma é tão essencial quanto, mesmo que não seja tão grande ou perigoso, mas é uma parte de quem é Jon Snow e o que é o Norte.

Alguns leitores sugeriram que Fantasma morreu quando Jon foi assassinado, mas isso não é verdade. Sansa até mesmo menciona o lobo em Winterfell. Mas apenas preferiram não mostrar ele.

E isso são apenas algumas das dúvidas, ainda há muitas outras sem explicações plausíveis. Algumas pessoas podem dizer “é apenas uma série de ficção”, mas isso não quer dizer que não precisa ter coerência, afinal Martin sempre elaborou tudo muito bem.

Muitas das melhores cenas e os melhores diálogos foram tirados diretamente dos livros de “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Nesta temporada, mais do que qualquer outra, sentimos a ausência disso, daquelas frases marcantes.

Isso poderia significar que parte da culpa é do Martin, quem sabe. A HBO e os showrunners só adaptaram os livros, e não criaram inteiramente sua própria história. Ainda assim, nas temporadas anteriores tivemos grandes momentos que não estavam nos livros e que mostra o talento dos roteiristas. Como a cena entre Robert e Cersei, ou cenas entre Varys e Mindinho, a Batalha dos Bastardos que também ficou incrível, e nenhuma delas estava nos livros.

Isso ainda se encaixa na crítica de que tudo está apressado na trama. Lembra da Batalha da Água Negra (Battle of The Blackwater)? Vamos lembrar dessa parte.

Nessa batalha tudo era de tirar o fôlego, como: Cersei atormentando Sansa onde mostra a personagem cada vez mais bêbada. O Cão abandonando a cidade e dizendo que se foda para todos, inclusive o Rei e se oferecendo para levar Sansa. Tyrion salvando o dia majestosamente, e também indo a batalha como grande inspiração e depois quase assassinado pelas mãos de um dos Guardas do Rei, e sendo salvo por Podrick Payne. O exército Tyrell ao lado das forças de Tywin. Cersei que quase envenena seus filhos, a fim de evitá-los cair nas mãos de Stannis e a cena de quando ela vê seu pai chegando é emocionante.

Agora se comparar a batalha do episódio “The Spoils of War”, que claro foi uma grande cena de ação com a coreografia dos Dothraki e um grande show visual de tirar o fôlego. Mas o que conseguimos disso? Um grande dragão, fogo, Dothraki matando Lannisters, Daenerys queimando suprimentos, Jaime e Bronn escapando da morte. Sem conversas incríveis, sem grandes momentos para algum personagem ou revelações, sem intrigas.

Outra coisa que não faz tanto sentido, o enredo de Winterfell. Bran, Arya e Sansa estavam enganando Mindinho o tempo todo e é por isso que Arya estava agindo tão estúpida. Tudo bem, fico feliz que tenha sido o Mindinho a morrer e não algum Stark, mais uma vez.

Toda essa trama foi para mostrar aos Senhores do Norte e Vale os motivos para sua execução sem perturbar e não ter questionamento sobre sua morte. Mas o que a trama realmente conseguiu com isso? Durante sua cena final, eles não mostraram nada como prova concreta das acusações. Tudo que fizeram foi acusa-lo. Eles não revelaram de fato suas intrigas, mas apenas o acusaram de tudo desde o início. Por que não apenas arrasta-lo diante todos os Lordes reunidos bem antes e fazer todas essas cobranças? O que ficar fingindo e fazer joguinho de fato fez para mudar o resultado?

Nada, absolutamente nada. Eles apenas queriam algo para enganar a nós, os espectadores, dizendo que ainda há algumas pequenas intrigas. Mas eu vejo isso justamente com outra visão.

A morte de Mindinho tem um grande significado para a série, “o fim das grandes tramas”. A morte dele significa que personagens como ele não tem mais espaço. Varys já foi jogado de lado, Tyrion não demonstrou as mesmas sacadas marcantes e foi um personagem mais fraco quando se comparado as outras temporadas. GoT não tem mais tempo para tramas pesadas.

O jeito que esse enredo foi tratado mostra uma queda na série. Não só como Mindinho merecia uma morte melhor, Sansa e Arya mereciam histórias melhores. O personagem de Arya foi quase tão desperdiçado quanto o de Tyrion nessa temporada, perdendo um pouco da essência anterior. É algo como “não temos tempo para elaborar seus núcleos”.

A ideia de Tyrion, de capturar um “wight” (corpo reanimado) é muito estúpida. Mas ainda assim, continua sendo um ponto importante. Afinal graças a esse plano idiota teve vários acontecimentos como: Cersei fingir que concorda com uma trégua, afinal de contas é a Cersei. Thoros de Myr morreu. Dany perde um dragão, que é reanimado pelo Rei da Noite, e depois derruba a Muralha com o dragão reanimado, assim fazendo com que o exército de zumbis passe. Muito bem Tyrion, grande plano. Já podemos chamar você de Flash da DC?

Mesmo que alguém não considere um plano ruim, ainda sim o que o torna ruim é que não teve resultados positivos discerníveis. Apenas se você queria ver mais um motivo para Jon e Daenerys flertar, é claro. O que o grupo de Dany esperava alcançar através de um armistício com os Lannister? Teve muita conversa de Cersei “tirando terras” que Daenerys havia tomado, mas quais eram exatamente essas terras? Já tinha sido admitido que eles não poderiam segurar Casterly Rock. Eles se referiam a Dragonstone? Mas isso já estava estranhamente vazio quando a Mãe dos Dragões chegou. Cersei não se importou com o lugar antes.

Além de tudo isso, avaliar os riscos é uma grande parte de qualquer plano bom, e ninguém fez isso em nenhum momento desta temporada. Enviar uma dúzia de guerreiros (afinal figurantes começaram a aparecer do nada) para ir capturar um “zumbi” além da Muralha, quando eles sabem que um exército está vindo em sua direção liderado por um poderoso Caminhante Branco com incríveis poderes mágicos é algo incrivelmente arriscado. Então levar os dragões para o Norte é arriscado, mas ninguém se importa ao que parece.

A queda da Muralha

Então, todas essas foram as consequências ruins, até de perder um dragão e a Muralha, derivam de um plano estúpido que não fazia sentido. Talvez fosse melhor não ter tido um plano tão “complicado” como o momento mais crucial de toda temporada. Um exemplo apenas, Jon poderia ter convencido Daenerys a ir para o Norte com seus dragões para simplesmente explorar o exército dos mortos. E no momento, Dany, impulsiva como ela é, poderia ter decidido entrar no ataque em que o Rei da Noite acaba por matar Viserion. Isso teria muito mais sentido de que toda aquela cena. Jon não sobe no Drogon, e o Rei da Noite decide matar o dragão que estava voando, ao invés de matar o dragão mais próximo e juntos vários inimigos que estavam montados nele. Acho que não precisamos falar mais nada, os furos ficaram bem claros e no final, sabemos porque não foi Drogon a morrer.

E no final a reunião com Cersei foi desnecessária. Tyrion poderia simplesmente ter ido encontrá-la “sozinho” para tentar convencê-la. Ela ainda poderia mentir para ele e concordar em ajudar.

A sétima temporada definitivamente teve alguns grandes espetáculos e revelações importantes foram feitas. Mas os bons momentos foram muitas vezes compensados por decisões de roteiro bem estranhas, escolhas desconcertantes e uma sensação de que a qualidade geral sofreu uma queda íngreme após a sexta temporada.

Mas sabemos que Game of Thrones está trabalhando com tempo limitado. A próxima temporada será a última, e haverá apenas seis episódios para encerrar tudo. Isso não é muito tempo para criar uma trama bem mais elaborada (mas bem que gostaríamos), e D&D apenas querem terminar a saga com um acabamento satisfatório para o público em geral, seus tópicos de enredos sinuosos precisam encontrar uma reta final agora. Isso claramente leva a uma série cheio de grandes momentos dos personagens favoritos de todos.

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