Homenageando o cineasta, listamos cinco dos mais relevantes trabalhos de sua expressiva carreira.

Há quem diga que seja o maior discípulo de John Ford, há quem afirme que no cinema contemporâneo ninguém expõe com maior profundidade a finitude humana. Concordo, inclusive, reitero convicto que Eastwood dirige como poucos. Soa sempre intimista em suas narrativas, emoldura ordinariamente as nuances do homem em suas relações pessoais e interpessoais.

Com mais de 62 anos no meio audiovisual – 46 como diretor, Eastwood é lembrado e admirado em toda mesa de debate cinematográfico por tamanha capacidade de envolver-nos em demasia. Com um olhar (físico e cinematográfico) absolutamente eloquente, o oitentão (completou 87 na última terça) demonstra um peculiar espírito de jovialidade e nos deixa, ao menos por hora, serenos quanto à continuidade de sua carreira nesse tão belo e envolvente meio artístico.

Ciente do intuito do texto (que é fazer um top 5 de seus melhores filmes), não me alongarei citando seus trabalhos como ator (onde também é soberbo), mas, sim, exclusivamente, enquanto diretor. Sem maiores delongas, vamos aos filmes. Ah, antes de mais nada, não há preferência aqui, somente listei o que de melhor (e realmente analisei e reanalisei aos montes) vi. Portanto, eis:

Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, 2003)

Sobre-Meninos

Uma triste obra com requintes investigativos e um drama absolutamente palpável. O sentimento de injustiça se faz presente desde a inicial sequência e se estende por toda a fita. Difícil acompanhar e digerir o desfecho, mas, como um conto trágico, é formidável.

Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004)

Menina de ouro

Outro trabalho dilacerante do Clint. Acompanhar Menina de Ouro é como cair de cara no chão, sempre imprevisível e doloroso. Os seres, sem exceção, são levados ao encontro de diferentes fases: autodescobrimento, aceitação, redenção e finitude. Eastwood compõe um belíssimo – e melancólico – exemplar sobre as facetas de um destino nenhum pouco esperado.

Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, 2006)

cartas de iwo jima

Uma amostragem ousada e impressionante sobre o conflito de Iwo Jima. Representado, aliás, também em seu antecessor filme, A Conquista da Honra, mas, aqui, necessariamente, sob ponto de vista de um outro lado. Distante do Clint (em moldes patrióticos), o filme é soberbo ao analisar o lado inverso (geralmente estereotipado em suma maioria dos filmes).

Os Imperdoáveis (Unforgiven, 1992)

os imperdoáveis

Bebe muito do cinema de Sergio Leone (com quem trabalhou) e também de Rastros de Ódio de John Ford. Carrega toda essência do western em uma trama sobre vingança e redenção. Provavelmente a obra mais reverencial do Clint.

As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County, 1995)

as pontes de madison

A representação do silêncio em significativos instantes contemplativos e imersivos. Uma trama simples, porém, narrada com enorme sensibilidade. Clint estava em estado de graça. Belíssimo.

Como em qualquer lista, existe dificuldade no desenvolvimento. Grandes obras ficaram de fora, eu sei, mas baseando no critério que mais levo à sério (meu envolvimento com o filme), esse são os filmes que mais me agradam no cinema de Clint Eastwood.

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