Direto de Themyscira, Mulher-Maravilha entrega com beleza e simplicidade uma história que os fãs mereciam e que a DC almejava

Sinopse: “Antes de se tornar Mulher-Maravilha, ela era Diana, princesa das Amazonas, treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível. Diana foi criada em uma paradisíaca ilha afastada de tudo, até que encontra um piloto norte-americano que sobreviveu a uma queda de avião. Ele conta que o mundo está enfrentando uma guerra. Pela primeira vez, Diana decide abandonar a casa, convencida de que pode dar um fim no conflito. Lutando ao lado dos homens na guerra, ela vai descobrir seus poderes e seu verdadeiro destino.”

Desde 2013 a Warner Bros. vem dando passos largos em uma sofrida e longa jornada afim de consolidar um Universo DC nos cinemas. Mulher-Maravilha, ao contrário das outras produções do estúdio (O Homem de Aço, Batman vs Superman, Esquadrão Suicida), consegue suavizar e finalmente estabelecer um tom nesse mundo de Deuses e Monstros. Patty Jenkins, que comandou filmes menores dentro da indústria, como Monster, de 2003, apresenta uma visão simplista e honesta da Guerreira Amazona.

Com mais de 75 anos de história, Mulher-Maravilha surgiu como um farol para o feminismo nos quadrinhos. Trazendo consigo lições que inspiraram meninas, numa época onde mulheres não possuíam voz ativa, o resultado é a transformação da personagem em um ícone do movimento de igualdade de direitos na década de 70. Em sua primeira adaptação pro cinema, Gal Gadot transmite de maneira clara para o público quão absurdas eram as coisas para mulheres na época da Primeira Guerra, onde começavam a adquirir alguns direitos, porém, ainda eram tratadas de forma indigna.


Existe um belo trabalho na construção de época. O design de produção é usado de maneira sutil, mas, harmoniosa, que agrega ao filme como um todo, e também no desenvolvimento da personagem como heroína. Em Themyscira, somos apresentados a um mundo deslumbrante, com uma fotografia que exalta as cores e no exato momento em que Diana decide ir ao mundo dos homens, a mesma fica a cada vez mais fúnebre e soturna, fazendo uma alusão na visão da Mulher-Maravilha com a índole dos humanos. Não existe apenas pessoas boas e ruins, em uma guerra só há tons de cinza. Isso funciona muito bem dentro da trama.

Ainda na parte do design de produção, vemos os trajes das Amazonas, que mantêm um equilíbrio na fidelidade aos quadrinhos e em criar algo verossímil e prático para a guerreira. Um grande acerto da figurinista Lindy Hemming, que já integrou a equipe de produções como: a trilogia The Dark Knight, de Christopher Nolan.

Patty Jenkins entrega uma origem e evolução da protagonista de maneira simples mas extremamente envolvente. O desenvolvimento das singularidades de Diana é bem feito, temos o lado que anseia pela batalha, sem deixar de possuir o lado feminino, delicado e inocente, o que a transforma em uma das personagens mais ricas da DC no cinema, até o momento.

Através de enquadramentos, Jenkins também consegue engrandecer a personagem, nunca de forma sexualizada, algo que poderia facilmente acabar acontecendo em mãos errada. Em suma, a diretora tem êxito em contar uma narrativa apostando no convencional e apresentando conceitos de modo orgânico. Mas, ainda assim, demonstra certa insegurança e se perde em momentos chaves, pesando a mão no slowmotion, por exemplo. Tudo isso com exceção da sequência na “terra de ninguém”, que talvez seja o momento mais poderoso e impactante de toda a trama, com camadas de significados, atestando o poder de ação perante a opressão.

A química entre Diana com Steve Trevor, é muito bem trabalhada, orquestrada de modo que, um ajuda na evolução do outro e possui um desfecho corajoso e memorável. Assim como Gal Gadot foi a escolha certa pro papel principal, Chris Pine (Trevor), Robin Wright (Antiope) e Connie Nielsen (Hippolyta) têm grande destaque e desempenham com competência seus papeis. Já o núcleo de antagonistas, compostos por David ThewlisDanny HustonElena Anaya, caem na uni dimensionalidade de vilões ordinários que estão ali e fazem o que fazem porquê sim, e ponto final.

O terceiro ato se joga de cabeça no clichê do gênero de filmes de heróis e exalta a dificuldade de Jenkins pra cenas de ação, no confronto final entre Diana e Ares, como dito acima. Mas, ainda assim, consegue encerrar convenientemente bem a trama e o arco dramático da personagem.

Assim como suas primeiras histórias serviram de inspiração décadas atrás, Mulher-Maravilha nos faz lembrar através da sua leveza, otimismo e esperança, que devemos acreditar em nós mesmo e que podemos fazer maravilhas.

NOTA FINAL:

FICHA TÉCNICA

Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Jason Funchs
Título Original: Wonder Woman
Gênero: Ação, aventura
Duração: 141
Classificação Indicativa: Livre
Elenco: Gal Gadot , Chris Pine , Robin Wright , David Thewlis , Lucy Davis , Danny Huston e Ewen Bremner
Lançamento: 2017

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