A sugestividade em um grande Sci-fi/Terror!

Sinopse:
“Nave espacial, ao retornar para a Terra, recebe estranhos sinais vindos de um asteroide. Ao investigarem o local, um dos tripulantes é atacado por um estranho ser. O que parecia ser um ataque isolado se transforma em um terror constante, pois o tripulante atacado levou para dentro da nave o embrião de um alienígena, que não para de crescer e tem como meta matar toda a tripulação.

Quinta passada estreou nos cinemas nacionais Alien: Covenant, novo filme da franquia Alien, iniciada no final da década de 70 com Alien: O Oitavo Passageiro. Como você, leitor, bem poderia imaginar, não deixaríamos a oportunidade passar sem uma análise do super clássico de 1979. Ridley Scott redefinira um conceito quase que experimental dos filmes de terror, se dedicando grandemente em uma surpreendente atmosfera de suspense em meio à vastidão do espaço. Me dedicarei a desdenhar a obra de forma – assim espero – enxuta e precisa.

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Comecemos ao citar o que nos é logo mostrado. Acompanhamos sete tripulantes de uma nave em uma de tantas missões que os são impostos. Somos rapidamente apresentados a eles – em uma breve sequência que os mostra acordando, tomando café e conversando sobre os trabalhos a serem feitos, os salários e o demasiado período longe de casa. Com pouquíssimo tempo é efetuado com enorme capacidade o quê da questão.

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Ocorre que, bem, os planos dão errado e acontecimentos tensos (dos mais que me recordo em recentes filmes que vi) são expostos de maneira crescente. Fundamental o curso da obra em se sustentar de forma linear, se abdicando do que fora outrora mostrado em benefício de somente impactar. Pelo contrário, tudo é bem desenvolvido e os personagens vão, em uma visão figurativa, do céu ao inferno. As primeiras cenas que os evidenciava aos risos sequer são lembradas ao comprovarmos o que realmente está acontecendo. E, mesmo lento, o filme foge de quaisquer resquícios de tédio. Por, de fato, despertar um imenso sentimento de curiosidade para com as futuras ocorrências. A primeira, por sinal, já bastante chamativa. Seguinte, a incógnita nos toma ao vislumbrarmos uma pequena estranha criatura. O Alien do título, ainda tímido, sem amedrontar, mas com potencial. Risos.

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Sem me alongar em acontecimentos ou na trama em si, basta para o espectador entender que se trata de um filme que busca, em maior escala, escapar das resoluções medíocres. Disse anteriormente que a pegada é experimental. Novas interfaces nos são mostradas, tanto do ponto de vista técnico (o uso da trilha sonora quase que apavorante e o movimentar lento da câmera se aproximando ou se distanciando dos personagens é perceptível e necessário para o envolvimento nosso), quanto do ponto de vista narrativo. Em 1979 dificilmente víamos uma personagem feminina ativa. O cinema é de um machismo sem precedentes (já foi muito mais, porém, ainda, precisamos de mais espaço e/ou oportunidade para elas). Além de uma figura feminina presente, Alien: O Oitavo Passageiro, presenteia-nos com uma heroína. Uma protagonista (desconstruindo, de certa forma, o que esperava assim que iniciei a sessão). Não mais um homem, mas, sim, uma mulher dando ordens, direcionando os outros tripulantes e protagonizando o clímax. Quão necessário isso.

Eis a cumprimento da promessa. O escapamento da explicites é de grande valia aqui. Os prós são consideráveis demais para não fazer de O Oitavo Passageiro um filme relevante para o cinema. Por mais que o alienígena cause medo (e realmente causa), gosto de ver com melhores olhos os outros atributos do filme.

Fascinante, em síntese. Essa revisão, depois de muitos anos, me serviu muito mais que somente para escrever sobre a obra. Necessitava de algo que me tirasse da zona de conforto e me fizesse avaliar o estado pessoal de compreensão, o futuro, nossas qualificações enquanto humanos e nossas auto-fortificações que nos impedem de estabelecermos uma relação concreta com os outros seres. Humanos ou não…

Terror na veia!

NOTA FINAL:

4

FICHA TÉCNICA

Direção: Ridley Scott
Roteiro:
Dan O’Bannon e Ronald Shusett
Título Original: Alien
Gênero: Sci-fi/Terror
Duração: 1h 57min
Elenco: Sigourney Weaver, Ian Holm, John Hurt, Tom Skerritt, Veronica Cartwright, Yaphet Kotto, Harry Dean Stanton
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 20 de Agosto de 1979 (Brasil)

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