Com o objetivo de retornar de vez pra franquia que o consolidou no cinema, Ridley Scott, tenta criar algo novo, mas acaba fracassando

Sinopse: “2104. Viajando pela galáxia, os tripulantes da nave colonizadora Covenant encontram um planeta remoto com ares de paraíso inexplorado. Encantados, eles acreditam na sorte e ignoram a realidade do local: uma terra sombria que guarda terríveis segredos e tem o sobrevivente David (Michael Fassbender) como habitante solitário.” 

Covenant tem inicio dando um “boas vindas” para novos fãs de ficção cientifica e de Alien – O 8° passageiro. Vemos o principio de um embate filosófico sobre criador e criação, um bom visual futurista, a trilha sonora e até a fonte do titulo do filme de 79. Tudo pronto pra uma boa história. Mas infelizmente toda essa base se perde como lagrimas na chuva em questão de minutos.

No primeiro ato, somos apresentados a uma equipe de colonização, que tem em mãos a responsabilidade de levar centenas de vidas humanas para um planeta habitável. Porém, ao receberem uma transmissão vinda de um planeta desconhecido, resolve investigar. Quase o mesmo argumento inicial o clássico de 1979, e é exatamente ai que os problemas começam.

Ao contrário de mineradores espaciais, a tripulação da nave é ou deveria ser, seguindo uma lógica obvia, composta por pessoas calculistas, as mais capacitadas para esse tipo de missão. Mas a história, escrito por John Logan, além de estabelecer personagens extremamente unidimensionais e com motivações fracas, faz com que toda a trama se desmonte em momentos totalmente inconsistentes, gerando situações beirando ao absurdo.

Daniels, vivida por Katherine Waterston, começa o filme com um trauma que deveria gerar um forte ponto de conexão com o público, mas nem isso o roteiro se dá ao trabalho de fazer direito, gerando uma falta de evolução e amadurecimento decente da personagem após o trauma.

Billy Crudup, responsável por interpretar o capitão da nave, teria um bom arco dramático, se não fosse algumas decisões equivocadas do roteiro.

Talvez os personagens com maiores nuances, sejam os Androides David e Walter. Ambos interpretados por Michael Fassbender (que carrega o filme), onde, em momentos pontuais é exposto conceitos que arranham grandes debates filosóficos sobre criador e criação, algo que vem de forma agradável pra trama, embora pouco explorado. A dualidade estabelecida entre os dois é razoavelmente bem construída, criando uma tensão em relação ao objetivo de cada um.

O elemento horror, que consagrou o primeiro Alien, é incorporado de maneira trincada. Mesmo que os xeromorfos tenham um bom visual, perde-se bastante o elemento sugestivo, da criatura que vive nas sombras. Transformando cenas que deveriam ter uma carga de pânico e claustrofobia entre o elenco, em algo gratuito e desinteressante do ponto de vista narrativo.

Ridley Scott conta uma história visualmente instigante, mas sem ritmo, que se perde de maneira confusa e catastrófica. Covenant não funciona como sequencia de Prometheus e nem como um prequel de O Oitavo Passageiro. Gera-se um sentimento de tristeza ao ver um diretor que vem do excelentes Perdido em Marte, criar uma amalgama de oportunidades desperdiçadas.

NOTA FINAL:

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FICHA TÉCNICA

Direção: Ridley Scott
Roteiro: John Logan
Título Original: Alien Covenant
Gênero: Ficção cientifica, terror
Duração: 122 min
Classificação Indicativa: 16 anos
Elenco: Billy Crudup, Katherine Waterston, Michael Fassbender, Demián Bichir, Danny McBride, James Franco
Lançamento: 2017

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