Um filme que fala de música, amor, desilusões e um pouco mais de música.

Sinopse:

“Um fã ávido por rock’n’roll consegue um trabalho na revista americana Rolling Stone, para acompanhar a banda Stillwater em sua primeira excursão pelos Estados Unidos. Porém, quanto mais ele vai se envolvendo com a banda, mais vai perdendo a objetividade de seu trabalho e logo estará fazendo parte do cenário rock dos anos 70.”

Existem alguns diretores que você identifica suas marcas logo em algumas cenas, sejam as cores extravagantes de Wes Anderson, sejam os diálogos que parecem sem sentido do Tarantino. Mas no caso de Cameron Crowe essa marca é musical, todos os filmes dele contam com uma maravilhosa escolha de músicas, e esse que retrata exatamente essa parte da sua vida, tem para mim a melhor de todas.

Para os que não sabem esse filme foi escrito, dirigido e vivido por Cameron, que com 15 anos foi acompanhar uma turnê do Led Zeppelin, e escrever uma matéria para revista Rolling Stone.

E como toda boa música, é preciso ter pessoas afiadas na execução, e nesse ponto a direção de elenco (feita por Gail Levin, que trabalhou com Cameron em Jerry Maguire e Compramos um Zoológico) acerta em cheio nas escolhas.

Kate Hudson faz sua melhor atuação: Linda, carquase-famosos5ismatica e hipnotizante, tudo fica mais brilhante com ela em cena. Fica claro que ela é a musa inspiradora que todos nós identificamos nas mais famosas músicas sobre amor e desilusões. Philip Seymour Hoffman que mesmo aparecendo em poucas cenas, entrega uma atuação de um critico que é magistral em seus detalhes (vale dizer aqui que a fotografia nas cenas em que seu personagem aparece em sua casa é belíssima, fazendo uso das cores e de sombras para demonstrar que o personagem ainda ama tudo aquilo, mas sabe que amar não é o suficiente). Em seus diálogos, funciona como um mentor, que sempre deixa aquele gosto agridoce, de que o mundo dá música pode ser maravilhoso, mas ao mesmo tempo em que é cruel e impiedoso com aqueles que se deslumbram demais. Ao olharmos para o lado da banda, vemos uma ótima simbiose entre os atores Billy Crudup e Jason Lee, entre conflitos e alegrias, os dois personagens entregam personagens que não são apenas músicos, mas pessoas procurando saber quem são. Suas disputas de ego retratam dois músicos que são talentosos, mas ainda assim tem medo de não estarem à altura um do outro.

E por fim, vem o personagem principal, que foi entregue a Patrick Fugit, ainda garoto, mas que conseguiu capturar toda a essência que o diretor quis passar.quase-famosos-lary-di-lua-5 Seu personagem tem um olhar sonhador, apaixonado, que mesmo não sendo parte da banda, funciona como uma cola, agregando a todos. É incrível como em algumas cenas ele não precisa falar, seu olhar já passa tudo que precisamos saber. São dignos de nota também as atuações de Zooey Deschanel, Frances McDormand e Jimmy Fallon, personagens que aparecem pouco, mas dão sintonia ao filme. É importante dizer sobre o amor com que Cameron trata esse filme em todos os pontos. Os planos que ele utiliza nos shows, mostrando toda a sinergia que a banda consegue criar, em contra ponto com as cenas em quartos bagunçados e esfumaçados de hotel. Esse mesmo carinho é refletido até mesmo no veiculo que a banda usa para se locomover durante a turnê, tendo como todo carro importante um nome próprio (Dóris) onde uma das cenas mais lindas ocorre quando os personagens passam por um momento delicado.

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Quase famosos, não é só um filme sobre música, é uma declaração de amor a ela. De como ela tem uma força enorme em nossas vidas, de como ela está sempre junto, seja uma música alegre, seja uma triste. Em outras palavras, é uma declaração de Cameron Crowe aquilo que ele mais ama: Falar sobre música.

NOTA FINAL:

5

Direção: Cameron Crowe

Roteiro: Cameron Crowe / Betsy Heimann / Jhon Toll

Título Original: Almost Famous

Gênero; Drama/Música

Duração: 122 Minutos

Classificação Etária: 12 anos

Lançamento: 23 De Março de 2001 (Brasil)

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