Com uma história simples mas consistente, expansão do universo mágico de J.K Rowling chega aos cinema cativando tanto os fãs como grande público

Sinopse:
” Trama acompanha o excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) que chega à cidade de Nova York com sua maleta, um objeto mágico onde ele carrega uma coleção de fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-america que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam saindo da sua maleta.”

Com Harry Potter, J.K Rowling conseguiu cravar seu nome na literatura e na indústria do cinema, levando Hollywood a investir em obras voltadas para o público infanto-juvenil. Após o último longa da franquia ser lançado (Relíquias da Morte parte 2), o anuncio de um novo filme dentro desse universo era algo inevitável. Foi apenas uma questão de tempo para que isso acontecesse, e agora cá estamos, com a adaptação cinematográfica do livro didático Animais Fantásticos e Onde Habitam.

Desde o início, Animais Fantásticos tinha como principal desafio acrescentar elementos novos ao universo já estabelecido no cinema, por conta disso a escolha de David Yates (que também comandou Harry Potter e a Ordem da Fênix, Enigma do Príncipe e As Relíquias da Morte parte 1 e 2) como diretor foi a escolha certa, nota-se sua familiaridade com tema através de soluções visuais pra situações e concepção de sequências. Yates também não subestima seu público, ao explicar com falas o que pode ser mostrado em uma cena. Fica claro, por exemplo, que Scamander se sente mais confortável com seus animais do que com outros humanos, e isso é quase que inteiramente desenvolvido com imagem e não em texto.

Ambientado nos anos 20, fica implícito uma atmosfera um pouco soturna, que se instala em toda misancene, desde os figurinos, com cores acinzentadas em sua maioria. Ao céu de Nova York lúgubre, constantemente nublado, refletindo o momento histórico pelo qual os EUA passava na época.

Mas em contra ponto a esse tom superficialmente sombrio, temos o núcleo de protagonistas, composto por Newt Scamander (Eddie Redmayne), Porpentina Goldstein (Katherine Waterson), Jacob Kowalski (Dan Fogler) e Queenie Goldstein (Alison Sudol) que entregam uma leveza ao longa, cada um possui seu arco de desenvolvimento e todos são concluídos de maneira apropriada, inclusive a de Jacob, que embora sirva de alivio cômico e mecanismo de roteiro para inserir diálogos expositivos, explicar para o publico geral conceitos do mundo mágico, personagem tem uma história própria, vai um pouco além do gordinho estereotipado. Percival Grave (Colin Farrell) serve como antagonista da trama enquanto (Erza Miller) apresenta um mistério e estranheza que se rebela no terceiro ato.

O roteiro escrito inteiramente por J.K Rowling, apresenta uma história simples, mas com um teor de urgência para os acontecimentos, deixando muitas pontas pra continuações, como as origens de Scamander e seu interesse amoroso. Há toda uma sub-trama que envolve mensagens sobre preconceito e fanatismo que se adequá de forma pertinente aos tempos atuais. Rowling consegue expandir de forma respeitosa o universo criado por ela mesma.

As criaturas são usadas de forma equilibrada no longa, com um design impressionante e encantador, conquistam facilmente o público, assim como a trilha sonora, composta por Jacob’s Farewell, que em vários momentos remete de forma nostálgica aos filmes de Harry Potter.

Animais Fantásticos e Onde Habitam fica longe de ser uma obra caça níquel, marca de forma triunfante o retorno da mitologia mágica no cinema, mostra originalidade, respeito aos personagens e principalmente, ao público.

NOTA FINAL:

FICHA TÉCNICA

Direção: David Yates
Roteiro: J.K Rowling
Título Original: Fantastic Beasts and Where to Find Them
Gênero: Aventura
Duração: 127 min
Classificação etária: 12 anos
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterson, Dan Fogler, Alison Sudol, Colin Farrell e Erza Miller
Lançamento: 2016

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