Sou do tempo dos garotos perdidos…

Acordei com esta frase na minha cabeça. Não sei porquê. Acho que foi por causa Dela.
Eu desmaiei depois de escrever as últimas linhas do meu “prefácio”. É a fome. Mas quero vencê-la. Não posso me render ao sangue…
Vou novamente acreditar que estou escrevendo, ou falando a alguém. Assim fica melhor desviar o pensamento da garganta seca, das dores no corpo, do suor frio que me percorre…
Pois bem amigos, vocês podem não acreditar, mas eu estou bem, mesmo que em algum momento eu seja traído por minhas palavras.

O filme, um tempo perdido…
Você, caro amigo, acreditaria se eu dissesse que não sei em que momento estou? Sou de um tempo dum terror sobrenatural que nos causava um medo gelado. Agora, sou o divertimento. Parece confusa a minha escrita? Mas é para ser… Logo vocês saberão.
Primeiro eu rabisco no papel. Gosto do cheiro meio mofado dele. É bem capaz de eu estar completamente ultrapassado. Passado? Palavra que lateja.
Não há luz direito. Mas para quê, não é verdade? Sou prisioneiro aqui. E mesmo que eu me sinta bem por Ela estar segura, não posso deixar de sentir uma raiva percorrendo meu corpo. Sei que foi Ela. Por Ela estou aqui.
Mas deixe eu contar logo a vocês como cheguei aqui. São lembranças um tanto enevoadas, então não confiem muito. Era noite (clichê isso, mas qual vida não é um clichê?) e acho que por volta da meia-noite. Ela me apareceu. Tão linda, com seus longos cabelos afogueados, lançando uma chama quente no frio que começava a tomar conta de mim. Senti medo. Muito medo. Algo inexplicável acontecia. Inacreditável, principalmente para um cético como eu. Sou professor. Pra que dizer isso? Irrelevante, mas bem…

J.

Ele largou o caderno sujo e o lápis. Alguém estava diante das grades. No meio da escuridão, com poucas luzes, que mal davam para iluminar todo o ambiente, mas os cabelos afogueados…

 

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