O Thriller mais empolgante e emocionante de 2016.

Sinopse:
“Sok-woo e sua filha Soo-ahn embarcam no Expresso KTX, um trem rápido que os levará de Seul para Busan. Mas, durante a viagem, o trem é invadido por zumbis, que matam vários tripulantes e outras pessoas. E enquanto o KTX está indo em direção a Busan, os passageiros têm que lutar por suas vidas contra os zumbis.”

Thrillers de Zumbis estão cada dia mais frequentes.  Não que seja atual, desde a década de 30 são realizados filmes sobre mortos-vivos. Histórias de zumbis são originárias de rituais do vodu haitiano, crenças espirituais da religião com fortes elementos de povos africanos. Sem entrar em mérito de possibilidades, é sempre curioso acompanhar legiões de zumbis atacando humanos de todos os lados, mesmo que somente (juro que não é um desejo), na ficção.

Train to Busan chega às telonas não somente para ser mais um filme do tema em meio a tantos que são lançados todas as temporadas. Chega para abrilhantar um gênero cinematográfico que se encontrava um tanto escasso qualitativamente nos últimos anos. Nos acostumamos a interessantes idéias e péssimas resoluções. Um ou outro trabalho agradava por certo equilíbrio de roteiro, determinado humor aguçado ou ação desenfreada.

O trabalho do realizador sul-coreano, Yeon Sang-ho consegue dosar bem todos esses elementos, retirando o humor e acrescentando dramas pessoais e familiares, com louvor. É bastante palpável à atmosfera tensa e angustiante da película em seus carregados 118 minutos.

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Train To Busan ou, como chegou ao Brasil, Invasão Zumbi, têm como ponto de partida uma relação distante de pai e filha, Gong Yoo e Kim Soo-Ahn, respectivamente. O pai é um homem egoísta, tão individualista que, dando um exemplo, ao saber do aniversário de sua filha, resolve comprar um presente que ela já possuía. A pequena garota é um poço de carisma. Sociável e bondosa, mas não escondendo seu desolamento com separação dos pais.

train-to-busan-8Bem, no dia de seu aniversário, a jovem garotinha pede ao pai para levá-la a Busan (cidade de sua mãe). O arrogante pai, insatisfeito com o pedido, inicialmente recusa, mas, após um breve instante de auto-avaliação, decide levar a filha à cidade de sua ex. Por determinado motivo, resolvem ir de trem. Pouco depois de entrarem no transporte ferroviário, acontecimentos estranhos dão o ar da graça e, assim, começam as relações interpessoais tão intrigantes em meio ao caos infernal.

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Dito isso, me sinto na obrigação de enfatizar tais relações durante a película. Temos o elo paternal já reiterado no texto, uma belíssima conexão fraternal entre duas irmãs que realmente chama à atenção por tamanha naturalidade e sensibilidade. O vínculo emocionalmente forte de um casal e à amizade sincera entre os jovens jogadores de um time de beisebol.

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E é fundamentalmente engraçado não me recordar de nada parecido em filmes do gênero. Tão simples as escolhas do cineasta em humanizar seus personagens e fazê-los, verdadeiramente, sofrer com todo horror em tela. Realmente me surpreende o potencial e o desenrolar aqui. Cada vinculação possui seu ponto mais elevado. Alguns previsíveis, mas não incômodos e outros bastante imponderáveis.

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Os efeitos também são sofisticados e inteligentes em não abusar do excesso da computação gráfica. Na verdade apenas uma sequência, já no final, me pareceu desnecessária vista sob ponto de vista estético, talvez uma escolha menos atabalhoada do cineasta fosse mais sábia. Mas, numa visão geral, nada que me tirasse da zona desconfortante que o diretor inteligentemente construiu.

É isso. Especial demais deslumbrar esse grande filme. Mesmo que em certos momentos tenhamos de acompanhar aquele costumeiro slow motion para engrandecer o papel do herói ou à altíssima trilha sonora para tocar no fundo de nossos corações. De qualquer forma, o longa acerta em seu tom de urgência. De fato nos preocupamos com àqueles personagens que queremos bem e torcemos contra o sórdido vilão (aqui vivido pelo ótimo Kim Ui-Seong).

E que George A. Romero me perdoe. Sou um discípulo de seu cinema e aficionado por suas obras que, metaforicamente, cutucam vigorosamente incontáveis problemas sociais. Seus filmes são sobre zumbis na veia, tendo, nas entranhas, inclusão dos humanos. Porém, contrariando um pouco o “pai dos zumbis”, é, sim, possível condenar o sistema acompanhando conflitos e dramas interpessoais tendo como plano de fundo ataque de mortos-vivos. E isso tudo com muita qualidade.

NOTA FINAL

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FICHA TÉCNICA

Direção: Yeun Sang-Ho
Roteiro:
Yeun Sang-Ho
Título Original: Busanhaeng
Gênero: Thriller/Terror
Duração: 1h 58min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 24 de Novembro de 2016 (Brasil)

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