Uma obra prima sobre a insensatez, impunidade e hipocrisia!

Sinopse:
“Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, Mireau (George Meeker), um general francês, ordena um ataque suicida e como nem todos os seus soldados puderam se lançar ao ataque ele exige que sua artilharia ataque as próprias trincheiras.”

“Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem viver. Você pode dar-lhes a vida? Então não sejas tão ávido para julgar e condenar alguém a morte. Pois mesmo os muitos sábios não conseguem ver os dois lados”.

Ao fim de Glória Feita de Sangue, me peguei pensando em uma das mais famosas citações de J.R.R. Tolkien. Recapitulei boa parte do filme e cheguei à conclusão de que, sim, somos avidamente julgadores e condenadores. Mas por quê? Qual a razão? Simples, porque a maldade e a “convicção absoluta” estão estagnadas em nossa carne.

Stanley Kubrick conseguiu em suas realizações trazer visões tão amplas acerca do ser humano. De forma irônica e pessimista debatia nossa essência, discutia cada costumeiro ato de nossa (in) significância em meio ao vasto mundo. Soube trazer medo com O Iluminado, incompreensão com 2001 – Uma Odisseia no Espaço, certo rancor com Laranja Mecânica e muita revolta com Glória Feita de Sangue.

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O filme acompanha momentos de apreensão durante a Primeira Guerra Mundial. Claro, medo e angústia estão presentes como em qualquer outro filme sobre guerra, porém, temos aqui um modelo diferente. A guerra é retratada como um amontoado de interesses sociais. Os argumentos e motivos sempre vão aparecer individualistas e interesseiros. Temos sempre um mal maior em evidência.

Sob comandos e ordens, é estabelecida uma discussão sobre o valor que o homem pode possuir em meio ao cenário conflituoso de um combate. O longa-metragem que, inacreditavelmente, nunca tinha visto, estabelece parâmetros e pontos de vista desde seus iniciais instantes. Há, aqui, uma atmosfera de tensão, algo acerca da racionalidade humana presa à mesmice e intolerância daqueles que nos cercam.

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E é engraçado observar um personagem que, com tamanha importância, inicialmente se mostra responsável e preocupado com seus subordinados, mas que, por demasiado ego e repugnância, se encarrega de fazer a mais cruel e desumana das escolhas. Escolhas que aqui estão relacionadas à hierarquização e, por consequência, a monopolização humana. São personagens esbaldados de egoísmo e falso moralismo.

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Por mais crédulo que me sinto em afirmar que o ser humano traz uma bagagem de sua infância, passando pela juventude até chegar à vida adulta, ainda creio que o meio momentâneo transforma o ser. Como esperar alegria ou amor em meio à tristeza e dor? Bem, Kubrick, com sua singularidade, remonta essa ideia. Não há como confiar no homem enquanto tudo são flores, quiçá crer enquanto há luto e consternação.

Após indagações e horríveis acontecimentos, somos brindados com uma cena memorável onde, sem mais ter o que esperar do filme, o cineasta realça a ideia de que, em destroços e desgraças, ainda pode existir uma boa aura dentro de nós e que a esperança, mesmo estando distante, pode trazer um novo sentimento: a certeza de que o amanhã pode ser diferente.

NOTA FINAL:

5

FICHA TÉCNICA

Direção: Stanley Kubrick
Roteiro:
Stanley Kubrick/Calder Willingham/Jim Thompson/Humphrey Cobb
Título Original: Paths of Glory
Gênero: Drama/Guerra
Duração: 1h 28min
Ano de lançamento: 1957
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 1957 (Brasil)

 

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