Onde foram parar as peculiaridades de Tim Burton?

Sinopse:
“Quando seu querido avô deixa para Jake pistas sobre um mistério que se estende por diferentes mundos e tempos, ele encontra um lugar mágico conhecido como O Lar das Crianças Peculiares. Mas o mistério e o perigo se aprofundam quando ele começa a conhecer os moradores e aprende sobre seus poderes especiais… e seus poderosos inimigos.”

Com um estilo nada convencional, através de filmes como Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos de Tesoura e O Estranho Mundo de Jack, Tim Burton conseguiu cravar seu nome em Hollywood. Mas parece que com o passar das décadas suas obras foram se mostrando menos instigantes, e O Lar das Crianças Peculiares é a triste prova disso. Mesmo que o livro escrito por Ransom Riggs tenha uma história e personagens que facilmente se integrariam com que o Burton costuma trabalhar e adaptar, é  notável a falta de originalidade em certos momentos.

O roteiro do longa traz algumas mudanças criadas tanto por Burton quanto pela roteirista Jane Goldman, que podem acarretar em um certo incômodo entre alguns fãs do livro, mas nada que mude de forma drástica a obra original de Riggs. Na trama, somos guiados pelo ponto de vista de Jake, personagem vivido por Asa Butterfield, e que segue o clássico arquétipo do adolescente que não se relaciona bem com os pais, sem muitos amigos, e por conta de um acontecimento se vê obrigado a enfrentar seus medos, amadurecer e se tornar alguém diferente. Sua relação com o avô (Abraham Portman) serve como gatilho para a história se desenvolver, além de funcionar como mecanismo emocional entre espectador e personagem. Por fim, resulta na busca de Jack pelo orfanato das crianças peculiares.

A partir daí, somos levados para uma atmosfera visual diferente, e com mais fábula. Temos Miss Peregrine, personagem vivida por Eva Green, e o resto do elenco principal, introduzido e explorado de forma simples mas eficaz, de acordo com sua importância na trama. Se por um aspecto mais amplo, Burton se mostra pouco inovador, ele recompensa nas sutilezas, como em pequenos detalhes no design de produção, e em ótimas soluções visuais para os poderes de cada criança.

Samuel L. Jackson vive o antagonista Barron, que  assim como Eva Green se torna sub aproveitado em vários momentos. Limitando-se a um vilão visualmente interessante mas sem carisma, que falha ao tentar impor qualquer senso de ameaça e atrapalha de forma drástica o ato final.

No fim, com dificuldade e sem muita originalidade, O Lar das Crianças Peculiares entrega uma boa história, mas nada além disso. Falta justamente algo que deveria ter em abundância, mas que na verdade só existe no título: Peculiaridades.
NOTA FINAL:

3_atomos

FICHA TÉCNICA:

Titulo Original: Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children
Direção: 
Tim Burton
Roteiro:
  Jane Goldman
Classificação: 
12 anos
Elenco: 
Asa Butterfield, Eva Green, Abraham Portman
Ano: 2016
Duração:
127 min
Gênero: 
Aventura, Fantasia 

 

Comments

comments