Bizarro. Esquisito. Nonsense total. Mas original e emocionante!

Sinopse:
“Hank (Paul Dano), um homem perdido no deserto, e sem esperanças, encontra um corpo no meio do caminho. Decidido em ficar amigo do morto, eles vão partir, juntos, em uma jornada surrealista para voltar para casa. Ao mesmo tempo em que Hank descobre que o corpo é a chave para sua sobrevivência, ele é forçado a convencer o morto o quanto vale a pena viver.”

Sabe aquele sentimento de estar diante de um filme excêntrico que, por certo motivo, nos prende de tal forma onde, por mais que determinado acontecimento se mostre inicialmente tosco (aqui é realmente estranho), não nos importamos e resolvemos nos deixar levar por toda mítica da obra?! Bem, tive isso com Swiss Army Man.

Tendo como ponto de partida uma tentativa de suicídio, o filme logo de cara estabelece que algo incomoda nosso protagonista. Ora bolas, ninguém – ao menos penso – decide se matar por nada. Bem, (PASMEM, Rafael!) logo de cara peço perdão a você, leitor, mas temo que o “nada” seja a razão de tal decisão. De qualquer forma, deixemos essa explicação para um outro parágrafo.

swiss-army-man-1

Dando continuidade, Hank (Paul Dano), nosso já citado protagonista, resolve não cometer suicídio. Motivo? Prestes à autodestruição, nota o surgimento de um corpo na praia (ele estava preso numa ilha). Inexplicavelmente, algo hiper presente na obra, ele decide tentar se relacionar com o defunto. Ótimo, deixar de morrer para conversar com um morto. Corriqueiras suas escolhas, não acham?!

Já perceberam o nível da esquisitice aqui, certo? Bom, com o intuito de se salvar, Hank descobre que o cadáver, vejam o surrealismo, não é, necessariamente, um cadáver. Além, esse corpo consegue realizar feitos impressionantes. Antes até dos créditos iniciais, nas margens do mar, aquele ser dado como morto vira uma espécie de Jet Ski (movido por seus gases).

Não entrarei em debates biológicos (a presença de gases, mesmo quando não há vida, é possível já que como os músculos não estão trabalhando, tudo que é podre vai sair devido à pressão). Nojento, né? Pois é, o filme também concilia questões asquerosas originárias do homem para discutir o que se pode (ou não) fazer. Em suma, se discutem rótulos sociais, sendo mais claro.

SWISS ARMY MAN (2016)Daniel Radcliffe and Paul Dano

Largando à área de biológicas e voltando a estrutura narrativa, Hank constrói laços com o defunto – já não me parece tão sensato denominá-lo assim – então, cria uma relação com Manny (Daniel Redcliffe). Objetivamente, inicia-se uma jornada de autodescobrimento e autoafirmação diante de um cenário relativamente propício a indagações existenciais. Um auxilia o outro e, assim, quase que involuntariamente, ambos se ajudam.

É curioso constatar a aproximação entre eles. São seres, a princípio sem qualquer vida (ah vá), sem identidade, direito ou desejo próprio. Os dois consumados, aguardando algo que pudesse (re)acender a vontade de viver. E lembram quando disse que o inexplicável é tão atuante no filme? Então, eles encontram essa ânsia pela existência (através de amores, sons, danças, sonhos). O vazio que fizera Hank optar pelo suicídio não mais existia assim que ele constata que tudo que nos faz humanos é lindo. Achava belo o fato de poder cantar, dançar, até de ser nojento. Tudo agora fazia sentido.

sam

A composição dos personagens é tão fascinante, criativa e eloquente. Cada um com seu arco inicial bem dosado, modificando-o com o decorrer da trama. A simples relação com o sujeito próximo e a representação de tudo que é puro e sujo, bom e mau, vivo ou morto. Paul Dano e Daniel Redcliff estão nada menos que brilhantes. Redcliff, aliás, me surpreendeu positivamente (pós-Harry Potter, nada vi de tão empolgante no trabalho do ator).

No mais, acho que traz um sentimento vívido e expressivo frente à insignificância que tantas vezes achamos portar. É um filme que desconstrói rótulos, que instiga o piegas e o esquisito. Consegue ser especial na medida em que se desenvolve com sua estranheza e singularidade. Penso que uma futura revisão possa ser de grande valia, mas o que se ganha aqui já é suficientemente emocionante.

NOTA FINAL:

4_atomos

FICHA TÉCNICA

Direção: Daniel Kwan e Daniel Scheinert
Roteiro:
Daniel Kwan e Daniel Scheinert
Título Original: Swiss Army Man
Gênero: Comédia Dramática
Duração: 1h 37min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: Não definido
Lançamento: 01 de Julho de 2016 (Mundial)

Comments

comments