Um terror totalmente descartável

Sinopse: Um grupo de estudantes universitários se aventura na floresta de Black Hills para desvendar os mistérios que cercam o desaparecimento da irmã de James, que muitos acreditam estar ligado à lenda da Bruxa de Blair. No início, o grupo está esperançoso, especialmente quando uma dupla de moradores se oferece para guiá-los na floresta. Mas com o cair da noite, o grupo é surpreendido por uma presença ameaçadora e, lentamente, eles começam a perceber que a lenda é real e muito mais sinistra do que imaginaram.

É indiscutível o fato do primeiro Bruxa de Blair  (1999) ser o grande responsável por revitalizar e popularizar o gênero found footage (filmagens encontradas) na industria do cinema, que voltou a cair nas graças do publico com uma tonelada de franquias, como a série Atividade paranormal REC. Seguindo toda essa lógica, era só uma questão de tempo para uma continuação disfarçada de remake de A Bruxa de Blair ser lançada, e acabou acontecendo, com a promessa de ser tão assustador e ainda mais insano que seu antecessor. Mas seria mesmo necessário?

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Assim como outras continuações Hollywoodianas, que embora utilizem da mesma estrutura narrativa de seus progenitores, ainda assim acrescentam algo a história (como Despertar da Força e Jurassic World), A Bruxa de Blair se prende a esse conceito, mas não o executa de forma acertada, apresentando um primeiro e segundo ato problemático, que ao tentar estabelecer “diferentes” e tecnológicas maneiras de direção, como o uso de drones, acaba se mostrando repetitivo, e a exaustão em relação ao filme original fica cada vez mais gritante, criando uma antítese de ideias novas com velhas, resultando em uma história desastrosa.

A interpretação do elenco principal, composta por James Allen McCune (James), Callie Hernandez
(Lisa), Brandon Scott (Peter) e Corbin Reid (Ashley), é razoavelmente eficaz dentro de seus arquétipos, mas não o suficiente para fazer com que o publico sinta alguma empatia por eles. Esse aspecto se mistura com um medíocre roteiro, que por um lado tenta apresentar bons conceitos, tanto na contextualização dentro do universo da franquia, percepção de tempo e um estilo diferente de direção, mas não obtém sucesso em explora-las, deixando tudo no campo do previsível, sem criar uma real noção de tensão. O terceiro ato é contido mas violento, sai do campo da sugestão e entrega boas cenas de horror, mas não necessariamente um final satisfatório e original.

Adam Wingard, talvez tenha sido o único acerto do longa, que mesmo de forma um pouco genérica, consegue executar a direção de forma astuta, trabalha bem com o básico do terror, sabe utilizar e brincar com os clichês das formulas do susto e com a manipulação pelo medo do desconhecido.

Respondendo a pergunta feita no início do texto, A Bruxa de Blair é uma obra sem justificativas, que não acrescenta apenas empobrece uma franquia e o gênero do found footage.

NOTA FINAL:
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FICHA TÉCNICA

Titulo Original: Blair Witch
Direção: 
Adam Wingard
Roteiro:
 Simon Barrett
Classificação:
16 anos
Elenco: 
James Allen McCune, Callie Hernandez, Brandon Scott e Corbin Reid
Ano:
2016
Duração:
89 min
Gênero:  
Terror

 

 

 

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