Em meados dos anos 60 a Marvel (que na época ainda se chamava Timely Comics) lançava a primeira história do Quarteto Fantástico, que veio a se tornar algo revolucionário pra sua época, não só por possuir historias voltada para a ficção científica, mas sim por estabelecer e desenvolver a ideia de uma família disfuncional com a presença de um personagem que se sentia um monstro por seus poderes, que não queria se tornar um super-herói, o Coisa.

Era aguardado que depois de três adaptações cinematografias, Quarteto-Fantástico (Fantastic Four 2015) acertasse, mesmo com algumas licenças poéticas, mas não foi dessa vez. O primeiro ato começa razoavelmente bem, com Reed Richards ainda criança desenvolvendo seu tele transportador, conhecendo
Ben Grimm e jogando pequenas referencias para os fãs dos quadrinhos, em seguida – ainda no primeiro ato- temos um pequeno salto no tempo onde temos Richards (Miles Teller) e Ben (Jamie Bell) um pouco mais adultos em uma feira de ciências apresentando o seu projeto, lá Richards acaba sendo convidado por Dr. Franklin Storm (Reg E. Cathey) a participar de um projeto governamental que visa explorar uma dimensão alternativa. Até esse o ponto o filme consegue seguir uma boa narrativa mantendo o tom de ficção cientifica, contudo começa a se perder ao nos apresentar situações que não são desenvolvidas da forma correta ou simplesmente ignoradas, como a relação familiar entre Dr. Franklin, seu filho Johnny Storm (Michael B. Jordan) e sua filha adotiva, a jovem Sue Storm (Kate Mara) ou até mesmo a interação entre a equipe fazendo algo superficial e mal orquestrada, algo que estraga bastante a trama.

A introdução ao clássico vilão Victor Von Doom/ Dr. Destino que no filme é interpretado por Toby Kebbell, tem inicio com um bom potencial, tendo uma visão rancorosa e arrogante em relação ao mundo e alguns a sua volta, mas que é totalmente sub-aproveitada e se perde inteiramente em pouquíssimo tempo e quando retorna assumindo o papel de antagonista piora mais ainda, se tornando um personagem totalmente unidimensional.

Assim que todos partem para a viagem para outra dimensão e adquirem seus poderes, ocorre outro salto no tempo, onde o quarteto se encontra em uma instalação militar para pesquisas, portanto esperasse que os poderes dos personagens em questão sejam apresentados e utilizados para algo que agregue ao vetor da história, que a personalidade de Ben Grimm/Coisa seja aprofundada, mas nada disso acontece, a partir daí tudo começa a se tornar irrelevante; É mostrado brevemente cada usando seus poderes em algumas missões para o governo, mas a interação entre eles em si é jogada de lado, Reed Richards, atormentado pelo que fez com seu amigo Grimm foge e passa a viver fugindo de todos, Sue Storm fica invisível e reclama das missões impostas pelo governo, Johnny Storm fala “em chamas” e pega fogo, o Coisa aparece mostrando sua força e o Dr. Franklin Storm aparece pra dar um oi. Por conta do roteiro isso se estende por boa parte do filme.

No terceiro ato uma nova maquina capaz de levar pessoas para a dimensão que deu os poderes aos quatro personagens é criada (trazendo de volta um pouco do tom de ficção cientifica que também é largado de lado com o passar do tempo) com um novo propósito governamental, então Richards é encontrado pela equipe e acaba ajudando na finalização do projeto. Ao ingressarem novamente a outra dimensão a trama parece voltar a ganhar um propósito, Victor, que até então era dado como morto reaparece como Dr. Destino com uma ambição completamente clichê e genérica, destruir nosso mundo e governar o dele, então sem muitas opções o quarteto parte em busca de algum plano para impedi-lo, como a interação entre eles antes e depois de ganharem os poderes não foi das melhores a parte final do terceiro ato é desastrosa, não convencendo o publico de que eles de fato são uma equipe, uma família de super-heróis.

Com direção conduzida por Josh Trank e roteiro de Simon Kinberg, esse novo Quarteto Fantástico tem de fato, pequenas coisas boas, como algumas referencias ao cineasta David Cronenberge e certos quadrinhos da equipe, mas não chega nem perto do que era prometido….Não é fantástico.

Ficha Técnica:
Título original: Fantastic Four
Direção: Josh Trank
Roteiro: Simon Kinberg e Josh Trank 
Elenco: Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan, Jamie Bell, Toby Kebbell, Reg E. Cathey e Tim Blake Nelson
Ano: 2015
Duração: 100 minutos
Gênero: Ação, Aventura, Ficção Cientifica

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